O Senado do Paraguai aprovou nesta sexta-feira (6), por 44 votos a zero, o impeachment do presidente Santiago Peña, acusado de mau desempenho no cargo após a crise financeira do Ueno Bank. Com a destituição, Peña se tornou o segundo presidente paraguaio retirado do poder por julgamento político desde a redemocratização do país, depois de Fernando Lugo, em 2012.
A decisão ocorreu um dia depois de Peña anunciar sua renúncia, que não havia sido aceita pelo Congresso. A destituição também impede que ele receba o título de senador vitalício, concedido pela Constituição paraguaia aos ex-presidentes, e tenha acesso às prerrogativas parlamentares correspondentes.
Peña não compareceu ao julgamento e enviou seus advogados ao Senado. Antes da sessão, solicitou mais 72 horas para preparar a defesa, mas os parlamentares rejeitaram o pedido.
A acusação responsabilizou o presidente por falhas na fiscalização financeira, possíveis conflitos de interesses e pela concentração de recursos previdenciários no Ueno Bank, instituição da qual foi acionista indireto. Também questionou a nomeação de ex-dirigente do banco para comandar o Banco Central do Paraguai.
Defesa de Peña
O advogado Adolfo Ferreiro contestou a legalidade do julgamento e anunciou que poderia recorrer à Suprema Corte paraguaia e a tribunais internacionais. A defesa sustentou que o impeachment não poderia prosseguir após a apresentação da renúncia.
"O julgamento político existe para defender determinados funcionários contra agravos, perseguições, assédios e impedimentos ao exercício de suas funções", declarou Ferreiro.
O advogado Ricardo Preda também contestou as acusações e argumentou que o presidente não poderia ser responsabilizado por decisões de instituições autônomas, como o Banco Central e o Instituto de Previdência Social.
Crise do Ueno Bank
O impeachment foi desencadeado pela intervenção do Banco Central no Ueno Bank, após a deterioração da situação financeira da instituição. A suspensão das operações bloqueou o acesso de milhões de clientes a suas contas e comprometeu recursos públicos depositados no banco, inclusive fundos previdenciários.
A crise desencadeou manifestações em Assunção e ampliou a pressão pela saída de Peña. Na quinta-feira, a Câmara dos Deputados aprovou a abertura do impeachment por 78 votos, enquanto parlamentares também discutiam o pedido de renúncia apresentado pelo presidente.
O julgamento prosseguiu no Senado diante da resistência de congressistas a conceder a Peña o direito de ocupar uma cadeira vitalícia na Casa. Com a destituição, a presidência passa ao então vice-presidente Pedro Alliana, que assume o mandato até 2028.