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*Camilo Capiberibe
A manutenção do veto 17, que suspendeu a contagem de tempo para benefícios aos servidores públicos nas três esferas da federação e também a concessão de reajustes salariais para os trabalhadores da linha de frente de combate ao coronavírus, na noite da última quinta-feira (20), na Câmara, foi um mau presságio aos que acreditam que os custos da crise sanitária e de uma recuperação pós-pandemia deveriam ser distribuídos de maneira igualitária na sociedade brasileira.
Ao mesmo tempo, sinaliza claramente para um fortalecimento da agenda de reformas, cortando, como é de costume, no mesmo lado de sempre. “O país vai ficar inviável sem a reforma administrativa” declarou no jornal O Globo do dia 21 de agosto, seguinte à votação, o executivo Walter Schalka, presidente do grupo Suzano, e completou: a administrativa seria "a mãe de todas as reformas”.
Tudo isso acontece no que parecia ser o momento em que a reforma tributária tentava ganhar espaço na agenda de debates. Sobre esse tema, a oposição formulou conjuntamente e protocolou a PEC 05/2019, na Câmara, buscando inverter a lógica atual do nosso sistema de tributação: baseado no consumo para a renda e dos mais pobres para os mais abastados. No entanto as chances de uma proposta como essa entrar na ordem do dia são remotas, como fica claro com a insistência do governo de Jair Bolsonaro em tentar recriar a CPMF e com os esforços do mercado em conseguir tão somente uma simplificação do nosso complexo sistema tributário.