Renata Camargo
Os onze ministros de governo que deixam o cargo para disputar as eleições de outubro darão a posse a seus substitutos na próxima quarta-feira (31), em cerimônia prevista para ocorrer pela manhã no Palácio do Itamaraty. A candidata à Presidência da República do PT, ministra Dilma Rousseff, também deixa a Casa Civil neste dia. Em seu lugar, deve assumir a secretária-executiva, Erenice Guerra, braço-direito de Dilma e envolvida com duas denúncias: o escândalo do “dossiê FHC” e do fisco em benefício do filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB).
Até o dia 3 de abril, ou seja, seis meses antes das eleições, titulares de cargos no âmbito do Poder Executivo – inclusive nos estados e municípios, caso de governadores, prefeitos e secretários de estado –, que desejam se candidatar, devem se licenciar. No caso dos estados, há grande expectativa em relação à desincompatibilização do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), que vai disputar a Presidência da República, e de seu colega de partido e governador de Minas Gerais, Aécio Neves, que pretende disputar o Senado, mas ainda sofre pressão do partido para ser vice na chapa do Serra.
Diferente do quadro dos governadores, que ainda permanece indefinido, o cenário da desincompatibilização na Esplanada dos Ministérios já está fechado. Dos 24 ministros, 10 deixarão o cargo. O Planalto ainda mantém mistério em relação aos nomes que substituirão os ministros. Mas o presidente Lula tem sinalizado a preferência em dar posse a funcionários que já acompanham os trabalhos dos respectivos ministérios. A intenção é empossar pessoas de dentro das instituições para evitar que a mudança atrapalhe o andamento dos projetos das pastas.Os planos eleitorais dos ministrosOs planos eleitorais dos governadoresNa lista dos que saem, algumas definições eleitorais já estão claras. Os ministros Tarso Genro (PT) - que já deixou o Ministério da Justiça em fevereiro -, Geddel Vieira (PMDB), da Integração Nacional, e Alfredo Nascimento (PR), dos Transportes, pretendem disputar os governos dos seus estados: respectivamente Rio Grande do Sul, Bahia e Amazonas. Devem disputar vaga na Câmara dos Deputados os ministros da Agricultura, Reinhold Stephanes (PMDB), e da Previdência, José Pimentel (PT). Ambos vão disputar a reeleição.
O ministro do meio ambiente, Carlos Minc (PT), sairá para concorrer novamente a uma vaga como deputado estadual no Rio de Janeiro. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB), deixará a pasta nos próximos dias para tentar a reeleição ao Senado.
O quadro de disputa envolvendo ministros ainda está impreciso em Minas Gerais. A briga pelo governo do estado é grande entre Patrus Ananias (PT), do Ministério de Desenvolvimento Social, e Hélio Costa (PMDB), das Comunicações. O apoio do partido de Lula é fundamental para emplacar as duas candidaturas. Senador licenciado, Hélio Costa tem a opção ainda de tentar uma reeleição no Senado e vislumbra também uma possível candidatura de vice na chapa de Dilma.
Outro indeciso é o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, cujo cargo tem status de ministro. Meirelles se filiou ontem (29) ao PMDB, mas continuou na discrição sem informar a qual cargo irá concorrer nas eleições de outubro. Há uma possibilidade de que dispute uma vaga ao Senado por Goiás. Mas o presidente do BC também tem sido cotado para ser vice de Dilma. É um nome que tem a simpatia do presidente Lula, mas o PMDB rejeita a opção: quer que o parceiro de chapa de Dilma seja o presidente da Câmara e do partido, Michel Temer (SP).
Estados
O quadro nos estados ainda é de indefinição. Pelo menos oito governadores já deram como certa a sua saída do cargo para disputar as eleições. A desincompatibilização mais aguardada é a do governador de São Paulo, José Serra, que oficializa a sua pré-candidatura à Presidência da República no dia 10 de abril. Além dele, também deixam o Executivo o governador do Amazonas, Eduardo Braga (PMDB); do Mato Grosso, Blairo Maggi (PR); de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB); do Paraná, Roberto Requião (PMDB); do Rio Grande do Norte, Wilma de Faria (PSB); de Rondônia, Ivo Cassol (PP); do Amapá, Waldez Góes (PDT); de Goiás, Alcides Rodrigues (PP), e de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira (PMDB).
Com exceção de Serra, todos os demais governadores que irão se licenciar devem pleitear uma vaga no Senado. A situação de Aécio, no entanto, ainda aguarda um posicionamento do partido: o PSDB ainda sonha em vê-lo como candidato a vice na chapa de Serra.