Entrar

    Cadastro

    Notícias

    Colunas

    Artigos

    Informativo

    Estados

    Apoiadores

    Radar

    Eleições 2026

    Quem Somos

    Fale Conosco

Entrar

Congresso em Foco
NotíciasColunasArtigosEleições 2026RadarPrêmio
  1. Home >
  2. Artigos >
  3. Empreendedorismo feminino também é política de enfrentamento | Congresso em Foco

Publicidade

Publicidade

Receba notícias do Congresso em Foco:

E-mail Whatsapp Telegram Google News

Autonomia feminina

Empreendedorismo feminino também é política de enfrentamento à violência contra as mulheres

Romper ciclos de violência exige mais do que proteção: exige renda, cuidado e condições concretas para que as mulheres possam escolher e reconstruir suas vidas.

Tatiana Vasconcelos

Tatiana Vasconcelos

18/9/2026 14:00

A-A+
COMPARTILHE ESTE ARTIGO

Quando falamos sobre violência contra as mulheres, pensamos corretamente em denúncia, medidas protetivas, responsabilização dos agressores e fortalecimento da rede de atendimento. Mas existe uma dimensão dessa discussão que precisa ser aprofundada: a autonomia econômica. Uma mulher sem renda própria, sem controle sobre seus recursos ou financeiramente dependente do parceiro pode ter muito mais dificuldade para romper uma relação abusiva, buscar proteção ou reconstruir a própria vida. Nesse debate, o empreendedorismo feminino pode ser parte importante de uma estratégia mais ampla de prevenção e enfrentamento à violência.

O Brasil registrou 1.568 feminicídios em 2025, aumento de 4,7% em relação ao ano anterior. Em 2026, o Ligue 180 registrou mais de 1 milhão de atendimentos entre janeiro e julho, 90,8% a mais que no mesmo período de 2025. As denúncias de violência de gênero cresceram 15%, com a violência psicológica entre as mais denunciadas. E esses dados podem representar apenas parte da realidade, já que muitas mulheres não formalizam as denúncias. Segundo o Mapa Nacional da Violência de Gênero: 29 milhões de brasileiras sofreram violência doméstica ou familiar nos últimos 12 meses.

É nesse cenário que os dados da pesquisa Empreendedoras e Seus Negócios 2026, do Instituto Rede Mulher Empreendedora, ajudam a iluminar uma dimensão importante do problema. 57,3% das empreendedoras são as principais provedoras de suas famílias, 70% trabalham sozinhas e, para 43,5%, a busca por independência e a possibilidade de serem suas próprias chefes estiveram entre as razões para começar a empreender. Os dados mostram que, para uma parcela significativa dessas mulheres, empreender está diretamente relacionado à busca por autonomia econômica e que ter renda e capacidade de decisão pode ampliar suas possibilidades de escolha sobre os caminhos da própria vida.

t

Neste ano em que a Lei Maria da Penha completa 20 anos, também precisamos ampliar a nossa compreensão sobre o que significa romper o ciclo da violência. Ao longo dessas duas décadas, avançamos na proteção e na responsabilização dos agressores, mas também ficou mais evidente que sair de uma situação de violência exige mais do que afastar o agressor: é preciso criar condições para que a mulher possa reconstruir a própria vida. Isso inclui enfrentar as dimensões patrimonial e econômica da violência e ampliar o acesso a renda, recursos e capacidade de decisão.

Essa compreensão começa a ganhar espaço também nas políticas públicas. Em abril deste ano, a Lei nº 15.398/2026, que instituiu o Programa Antes que Aconteça, passou a incluir entre suas finalidades a inclusão produtiva, o empreendedorismo e a autonomia das mulheres, ao lado de ações de acesso à justiça, segurança, saúde, formação e proteção. A iniciativa se soma ao Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, lançado em fevereiro pelos Três Poderes, que reforça a prevenção, a proteção e a responsabilização como frentes articuladas de enfrentamento à violência contra as mulheres. É uma mudança importante de perspectiva: prevenir a violência também significa reduzir vulnerabilidades e ampliar as possibilidades para que as mulheres possam exercer sua autonomia.

No entanto, não existe autonomia econômica plena quando as mulheres continuam responsáveis de forma desproporcional pelo trabalho de cuidado e não dispõem de tempo para trabalhar, estudar ou desenvolver seus negócios. É nesse mesmo sentido que a Política Nacional de Cuidados se conecta à agenda de empreendedorismo feminino, prevendo medidas e investimentos em serviços públicos de cuidado, como a ampliação de creches, atendimento domiciliar para idosos e pessoas com deficiência, além da divisão mais igualitária das responsabilidades de gênero entre homens e mulheres dentro das famílias, no setor público e no privado.

Por isso, crédito, qualificação, acesso a mercados, formalização e empreendedorismo precisam caminhar junto com políticas de cuidado, proteção social e enfrentamento à violência. Não basta incentivar mulheres a empreender; é preciso criar as condições para que esse empreendedorismo se traduza em autonomia real.

O empreendedorismo feminino não é a única resposta à violência contra as mulheres e não deve ser tratado como uma solução individual para um problema estrutural. Mas, quando articulado a uma rede de proteção e a políticas de cuidado, renda e inclusão produtiva, pode integrar uma estratégia mais ampla de prevenção e enfrentamento à violência. Se queremos romper ciclos de violência, precisamos garantir às mulheres não apenas uma porta de saída, mas condições concretas para atravessá-la.


O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].

Siga-nos noGoogle News
Compartilhar

Tags

empreendedorismo proteção às mulheres direitos das mulheres violência contra mulher mulheres

Temas

Economia
ARTIGOS MAIS LIDOS
Congresso em Foco
NotíciasColunasArtigosFale Conosco

CONGRESSO EM FOCO NAS REDES