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Lydia Medeiros
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Eleições
9/2/2026 11:00
Geraldo Alckmin e Fernando Haddad têm uma missão a cumprir nas eleições em São Paulo, disse o presidente Lula. As tarefas ainda não foram distribuídas, mas o ministro da Fazenda já se mostrou um disciplinado quadro do PT quando disputou a Presidência, em 2018, representando nas urnas o próprio Lula, à época preso em Curitiba. Logo, não há surpresa no chamado, apesar de Haddad já ter manifestado o desejo de não concorrer a qualquer cargo em outubro. Depois de três derrotas (prefeitura, governo e Presidência), o ministro não quer correr riscos.
O vice-presidente se aproximou de Lula por intermédio de Haddad, que vislumbrou a improvável parceria entre o petista e o então tucano. Alckmin se filiou ao PSB, um antigo aliado do PT, para poder compor a chapa nas eleições de 2022. Nos 34 anos anteriores à disputa, sua imagem era indissociável do PSDB, pelo qual tentou por duas vezes chegar ao Planalto — em 2006, contra Lula, e em 2018, quando perdeu para Jair Bolsonaro. O papel de Alckmin na chapa presidencial em 2022 foi passar à opinião pública a ideia de que o futuro governo seria de "centro", e que ele era uma espécie de avalista da "frente ampla" que apoiou Lula contra Bolsonaro.
Agora, o presidente precisa de Alckmin para salvar o PT e os partidos de esquerda em São Paulo — seus adversários em quatro mandatos no Palácio dos Bandeirantes. Antigos companheiros de PSDB — seis deputados estaduais — acabam de filiar-se ao PSD de Gilberto Kassab, que se tornou a maior força do estado.
O feito de Kassab praticamente aniquila os tucanos no estado onde o partido nasceu. O PSDB controlou a máquina estadual por décadas, e os governos tucanos sempre tiveram maioria legislativa. A debandada rumo ao PSD começou com a filiação de prefeitos, depois que João Doria deixou o governo para tentar disputar a Presidência. Em 2024, o partido de Kassab ganhou em 206 dos 645 municípios paulistas. O PSDB, em 21 — uma perda de mais de 80%. Em Brasília, o retrato não é melhor. A bancada tucana que já teve 99 deputados, em 1998, hoje tem 15 e atua em federação com o Cidadania (quatro deputados).
O PSDB deu passos decisivos para chegar à irrelevância bem antes de Kassab arregimentar seus dirigentes. Foi uma obra de longo prazo. Durante mais de 20 anos, o partido foi o principal antagonista do PT e servia como uma espécie de barreira à atuação da extrema-direita. Na oposição, durante os sucessivos governos petistas, perdeu o rumo. Votou até contra as próprias bandeiras. Teve participação ativa no impeachment de Dilma Rousseff e aderiu imediatamente ao governo Michel Temer.
Depois de quatro eleições presidenciais perdidas, o PSDB, carro-chefe da oposição, precisaria oferecer algo novo às pessoas que sentiam no bolso os reflexos da inflação, estavam indignadas com a corrupção e com a qualidade dos serviços públicos. O caminho escolhido, porém, foi o de espectador do caos.
Escolhido para tentar recuperar o protagonismo tucano nas eleições de 2018, Alckmin espelhou a falta de conexão do PSDB com a sociedade. Sua candidatura teve apoio formal de oito partidos, mas não houve engajamento. Jair Bolsonaro galvanizou todas as atenções da direita — que encontrou um caminho para "sair do armário".
Em 2018, a direita não viu em Alckmin o presidente ideal para seus propósitos, apesar do perfil conservador do político formado em Pindamonhangaba, no interior paulista. Desde então, o PSDB perdeu os últimos traços de personalidade. Agora, Lula quer dar ao vice a missão de conter essas forças no maior colégio eleitoral. É questão de sobrevivência para o PT. O serviço é espinhoso; talvez fosse inimaginável para aqueles que, como Alckmin, fundaram o PSDB em 1988 e combateram o PT de Lula.
O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].
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