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Lydia Medeiros
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ELEIÇÕES 2026
18/3/2026 17:21
Na despedida do Ministério da Fazenda, Fernando Haddad anunciou, ao lado do presidente Lula, um pacote para tentar mitigar os efeitos da alta do petróleo provocada pela guerra no Irã. Depois, culpou especuladores pelo aumento dos preços dos combustíveis. A cotação do petróleo mundial está sujeita aos rumos do conflito no Oriente Médio e foge ao controle do governo. Mas é uma das maiores preocupações do candidato Lula. Óleo caro é combustível para inflação, sobretudo de alimentos, inimigo mortal em ano de eleição.
A guerra multiplica incertezas semeadas desde que Donald Trump voltou à Casa Branca. O aumento de tarifas de exportação aos EUA consumiu meses de negociações. A suposta "química" entre os dois governantes pode ter ajudado a amenizar a situação, mas foi a Suprema Corte americana que derrubou a cobrança extorsiva. O presidente americano é outro fator imponderável na campanha eleitoral. Faz com que a política externa se torne, pela primeira vez, um tema essencial no debate.
E há, claro, o caso do Banco Master, uma crise que abarcou os três Poderes e, tudo indica, fugiu ao controle de todos. Expõe ministros do Supremo, parlamentares e as falhas na fiscalização do sistema financeiro — outro assunto que terá de ser pauta de campanha, diante da teia de fundos de investimento em que se escondem os malfeitos, não raras vezes em conexão direta com o crime organizado.
No Congresso, a CPI do INSS se tornou mais um foco de forte inquietação para o Planalto. Quando o escândalo dos desvios nas aposentadorias foi revelado, o governo tentou usar o caso como prova de combate à corrupção. Mas o nome do filho do presidente nas manchetes, associado a um dos cabeças do esquema, enfraquece esse discurso.
Em meio a tantas incertezas, Lula tem visto o crescimento do senador Flávio Bolsonaro nas pesquisas. É um indicador frágil, já que os nomes que estarão de fato na urna eletrônica ainda não estão todos confirmados. Nos próximos dias o presidente do PSD, Gilberto Kassab, deve anunciar o governador Ratinho Junior como candidato do partido. A decisão deve ter reflexos nas próximas pesquisas, já que o eleitor de centro-direita que rejeita Lula passa a ter uma opção de voto. O governador paranaense, porém, é um desconhecido para a maioria da população, numa disputa em que os nomes Lula e Bolsonaro têm imensa popularidade.
Lula conta com a experiência e com a máquina governamental. Além do desgaste de enfrentar a sétima eleição presidencial, ganhou um adversário etéreo, o imponderável. Como fazia o escritor Nélson Rodrigues quando o Fluminense sofria uma derrota, poderá colocar a culpa em um sr. "Sobrenatural de Almeida" qualquer.
O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].