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Eleições
28/4/2026 15:00
Ronaldo Caiado diz que Gilberto Kassab seria o nome ideal para ser o seu vice na disputa pelo Planalto. A perspectiva de uma chapa "puro-sangue" do PSD parece ousada para um candidato que tem 6% das intenções de voto e é desconhecido por 53% dos eleitores, segundo as pesquisas mais recentes. Mas pode não soar tão descabida quando se lembra que Kassab foi prefeito da capital paulista, mantém fortes conexões com o empresariado e levou o partido a controlar mais de um terço das prefeituras do estado de São Paulo.
As menções a Kassab para a vaga de vice podem não ir adiante, mas indicam que Caiado elegeu São Paulo como o centro de sua campanha. Além de concentrar cerca de 25% dos eleitores, é um território onde o PSD leva vantagem sobre os principais adversários, com uma base política expressiva e uma aliança estratégica com o governador Tarcísio de Freitas.
Como não se jogam palavras ao vento em campanha presidencial, Kassab disse a empresários, nesta semana, que Jair Bolsonaro "não tem vocação para a vida pública" — curiosamente, não citou o nome do candidato Flávio Bolsonaro. Declarou seu apoio "incondicional" a Tarcísio e descartou uma aliança com o petista Fernando Haddad.
Flávio Bolsonaro está se amparando em Tarcísio. Ainda não há uma estrutura partidária do PL a serviço do candidato e sobram desavenças, inclusive na composição das chapas para o Senado em São Paulo e em outros Estados. O filho escolhido candidato pelo ex-presidente não é uma unanimidade na família nem no partido. Mas tem desempenho expressivo nas pesquisas, em empate técnico com Lula, decorrente da surpreendente capacidade do pai em transferir votos.
São Paulo, berço político de Lula e do PT, cultiva um histórico antipetismo. Para enfrentar a rejeição, Lula convenceu a ex-senadora e ex-ministra Simone Tebet a sair do Mato Grosso do Sul e disputar uma das vagas paulistas ao Senado. A presença de Simone na chapa liderada por Fernando Haddad representa um aceno ao centro no palanque de Lula. É uma tentativa de repetir sua atuação do segundo turno de 2022, quando foi candidata presidencial do MDB e apoiou o petista contra Bolsonaro. Agora, ela está no PSB de Geraldo Alckmin.
Maior colégio eleitoral do país, São Paulo é chave no mapa de campanha de qualquer candidato ou partido. É possível ganhar eleição sem vencer no eleitorado paulista, mas a história demonstra ser impossível governar o país sem compromisso realista com prioridades e interesses do Estado que, desde o fim do século XIX, conduz o desenvolvimento nacional.
O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].
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