Publicidade
Publicidade
Receba notícias do Congresso em Foco:
Lydia Medeiros
Lydia Medeiros
Lydia Medeiros
Lydia Medeiros
Lydia Medeiros
Eleições
21/5/2026 12:00
Flávio Bolsonaro teve de explicar ao PL suas relações com Daniel Vorcaro e o financiamento do filme Dark Horse, uma biografia de seu pai, Jair Bolsonaro. Depois de ter dito que mal o conhecia, admitiu que recebeu dinheiro, conversou e até visitou Vorcaro quando ele estava em prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica.
Na última terça-feira, o senador deu uma entrevista no Congresso, cercado por parlamentares. Ninguém disfarçou a tensão. Afinal, a ideia era ser estilingue, não vidraça, com denúncias de corrupção na campanha eleitoral.
Valdemar Costa Neto, presidente do PL, diz achar possível que em duas semanas Flávio Bolsonaro se recupere e volte a subir nas pesquisas. Ele estava reagindo à surpresa da pesquisa Atlas que mostrou queda expressiva do seu candidato (cerca de sete pontos percentuais). Tentou, também, desfazer a interpretação (óbvia) de um comentário que fizera na reunião do partido, de que 15 dias seria o limite de tempo para uma avaliação sobre a manutenção da candidatura do senador.
Valdemar nunca negou que obedece às ordens de Jair Bolsonaro. Por isso, ainda não existem evidências de que Flávio Bolsonaro vá desistir. O assunto chegou a ser discutido em família no dia em que vieram à tona as revelações, feitas pelo site The Intercept, de que o candidato pedira a Vorcaro R$ 134 milhões para, segundo ele, concluir o filme. A princípio, o senador fica. Pode, no entanto, ter perdido a confiança de alguns aliados.
A direita ficou ainda mais fragmentada na disputa presidencial. Com a dianteira que vinha obtendo nas sondagens eleitorais, Flávio Bolsonaro parecia ser o caminho natural dos demais candidatos no segundo turno contra o presidente Lula. Os números da pesquisa Atlas mostram que o roteiro está sujeito a mudanças.
Flávio Bolsonaro vinha usando o caso Master contra Lula. Em 9 de maio discursou em Florianópolis usando camiseta com a frase "O Pix é do Bolsonaro; o Master é do Lula". Três dias depois descobriu-se que não era bem assim — nunca foi.
Se tivesse prestado atenção na história, Flávio Bolsonaro saberia que desafiar a lógica no palanque com frases em camisetas não costuma dar bom resultado. Em 18 de novembro de 1990, o então presidente Fernando Collor saiu para uma corrida matinal usando uma camiseta com a frase "O tempo é senhor da razão". Ele acabara de perder o apoio de um de seus aliados mais próximos, Renan Calheiros, líder do governo. Renan foi o primeiro de muitos até o afastamento de Collor do cargo, em 2 de outubro de 1992. O início do processo de impeachment foi autorizado pela Câmara por 441 votos a favor e 33 contra. O tempo não deu razão a Collor, assim como não parece dar razão a Flávio Bolsonaro no caso Master.
O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].
Temas