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Confúcio e a sabedoria

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13/7/2021 | Atualizado 10/10/2021 às 16:05

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Coruja, o símbolo da sabedoria [fotografo] Rogean James Caleffi/Unsplash [/fotografo]

Coruja, o símbolo da sabedoria [fotografo] Rogean James Caleffi/Unsplash [/fotografo]
Emanuel tinha acabado de chegar da China. Ele viajara ao imenso país asiático para falar de paz e conciliação entre os povos,  ampliar os diálogos inter-religiosos e reforçar as palavras de perdão pelos “erros e limitações” do passado, proferidas por João Paulo II, quando lá esteve na condição de seu papa.  Durante a visita, reuniu-se com religiosos para debater o tema dos “120 mártires chineses” e, ainda, aprofundar as conversas com o seu amigo Confúcio. Oxalá e Jaci aguardavam as novidades que seriam contadas pelo viajante, até porque queriam aprofundar seus conhecimentos sobre o confucionismo e a sua proposta de reconhecer na pessoa humana a inteligência para modificar os meios e transformar a ambiência em que vive. – “A experiência é uma lanterna dependurada nas costas que apenas ilumina o caminho já percorrido” – saudou Emanuel os seus amigos, citando uma das frases de Confúcio, onisciente de que este seria o assunto a ser travado naquele final de tarde. – Viajar para o Império do Sol é sempre um grande aprendizado, a cultura milenar e multiplicidade de sabores e saberes iluminam, encantam e apontam novos caminhos a percorrer. – Confúcio tem de idade o que tem de sabedoria, não é? – brincou Jaci. – Ele é muito ou pouco mais velho do que você, Emanuel? – Em Jó está escrito: “Falem os dias, e multidão dos anos ensine sabedoria” – respondeu Emanuel sem polemizar sobre os vestígios do tempo. – “Com os idosos está a sabedoria, e na abundância de dias, o entendimento.” – Nas nossas aldeias, os idosos são os responsáveis pelo saber transmitido  geração a geração – assentiu Jaci. – Eles são as nossas bibliotecas vivas. Cada cacique, cada pajé e cada um que vive na floresta têm a missão de manter ativa a história de nosso povo. – Também é assim conosco. Não há candomblé ou umbanda sem a transmissão geracional de saberes – reforçou Oxalá. – Os idosos desprezados e humilhados pelos governantes são os verdadeiros heróis dos nossos fundamentos e da nossa existência. – Guaraci gosta muito do povo chinês – retomou Jaci, querendo saber mais da viagem de Emanuel. – E, como você, ele passa horas conversando com Confúcio. Sempre trazendo para o meu povo novos conhecimentos. – O nosso deus Sol tem a mais absoluta razão – anuiu Emanuel. – Como diria nosso mestre chinês: “Só os grandes sábios e os grandes ignorantes são imutáveis”. – Infelizmente é a imutabilidade dos ignorantes que tem buscado vários de nossos governantes – observou Oxalá. – Nos terreiros que eles dizem frequentar, Pretos Velhos não são convidados a entrar.  Eles gostam mesmo é de ter um kaagere para chamar de seu, não é Jaci? – Claro que sim! Lembra que outro dia comentei que eles praticam a “política do deseducar consciente”? – respondeu, triste, Jaci, utilizando como lanterna a luz trazida pelo saber de Confúcio. – Para esses governantes, povo ignorante é como uma boiada que se deixa conduzir indiferente à experiência do caminho, pouco importando se o seu destino é o curral ou o abatedouro. – Aleluia, Jaci! Lembrei agora do que meu Pai disse em Salmos e em Eclesiastes – complementou Emanuel. – “A tua palavra é lâmpada que ilumina os meus passos e luz que clareia o meu caminho”. Concordo que devemos combater a política do deseducar consciente,  “Porque a sabedoria serve de defesa” contra todo tipo de opressão. – A lâmpada que ilumina passos e a lanterna dependurada nas costas nos mostram experiências já caminhadas pelo saber e que deram certo – aparteou Oxalá. – Escola e faculdades públicas de qualidade e gratuitas, cotas sociais e raciais, reserva obrigatória de recursos para educação nos orçamentos públicos, concurso público para professoras e professores, salários dignos, participação da comunidade no processo de escolha de diretoras e diretores. –  Não faltam experiências mesmo – interrompeu Jaci. – Mas também é importante que a educação seja libertadora, plural, inclusiva e que não mais esconda a importância da História de todos os povos, especialmente as comunidades que já habitavam na nossa Pindorama e as que foram trazidas para cá em criminosos navios negreiros. –  “Saber o que é correto e não o fazer é falta de coragem” – retomou Oxalá, citando uma das lições do grande sábio chinês. – Amanhã vou conversar com Obá e Exu sobre a urgente necessidade de se espalhar sabedoria e educação entre as criaturas que criamos, e pedir que comecem a cobrar mais verbas e investimentos em escolas e faculdades públicas. –  Como gosta de dizer o meu Francisco lá no Vaticano, a Casa Comum tem que ser um lugar de comunhão, amor e repartição de saberes – afirmou Emanuel. – Também vou solicitar que as homilias reforcem o que meu Pai sempre ensinou sobre o cuidar da outra pessoa como se cuida de si mesma. Como ouvi diretamente de Confúcio: “A essência do conhecimento consiste em aplicá-lo, uma vez possuído. – Então vou dizer para vocês uma tirada de Confúcio que Guaraci gosta de recitar e que acho pode resumir o quando devemos nos dedicar à transmissão de saberes – concluiu Jaci. – “Conte-me e eu esqueço. Mostre-me e eu apenas me lembro. Envolva-me  e eu compreendo”. – Fechar a tronqueira! – expressou-se Oxalá, após a apaixonada fala de sua amiga Oshupá. – A ordem é defumar o caminho dos kiumbas que odeiam os saberes plurais e libertadores. O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected]. > Leia mais textos do autor
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