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24/3/2019 | Atualizado às 15:45

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Analistas políticos passaram os últimos dias dizendo que Bolsonaro é “louco”, “inepto”, um “sem noção”. Será? Vamos analisar os fatos com frieza. Rodrigo Maia convida Bolsonaro para um almoço com Toffoli e Alcolumbre. O presidente aceita o convite, mas leva com ele 14 ministros. É uma prática manjada em Brasília. Quando você não quer conversar, mas não quer ser deselegante, você enche a sala de pessoas. Se o principal projeto é a reforma da Previdência, faz sentido implodir uma reunião com os comandantes do processo? Vamos seguir os sinais. Moro fica irritado com a decisão de Maia de adiar a análise de seu pacote anticrime. Faz cobranças. O presidente da Câmara reage chamando o ex-juiz de “funcionário de Bolsonaro” e desqualificando o “copia e cola” do ministro da Justiça. O que faz Moro? Solta uma nota e dobra o ataque ao Congresso: "Talvez alguns entendam que o combate ao crime pode ser adiado indefinidamente, mas o povo brasileiro não aguenta mais". Carlos Bolsonaro sai na defesa do ex-juiz e ataca Maia nas redes. Nos EUA, o “guru” Olavo de Carvalho chama Mourão – que vinha sinalizando moderação e entendimento – de idiota. Bolsonaro leva Olavo e Bannon para reuniões na terra do Tio Sam. Temer é preso. Segundo Bolsonaro, “acordos políticos feitos em nome da governabilidade” levaram Michel e Moreira para o xilindró. A prisão do ex-presidente é acompanhada de uma ofensiva nas redes contra o STF. Ela foi uma evidente reação - novamente arbitrária e ilegal - da Lava Jato às suas derrotas recentes na Suprema Corte. A República de Curitiba resolveu mostrar quem manda. Acompanhando Bolsonaro no exterior, Felipe Martins, assessor da presidência da República, é claro e direto. Defende nas redes a união da ala “antiestablishment” do governo, a mobilização popular, a “quebra da velha política” e a Lava Jato. Surgem sinais preocupantes na caserna. Circula a informação que o ministro da Defesa, tido como moderado, resolveu condecorar o “Torquemada” Deltan Dallagnol. A proposta de reforma da Previdência dos militares é uma peça de ficção. A economia de R$ 1 bilhão por ano é irrisória. A proposta é acompanhada de uma reorganização das carreiras, privilegiando os mais graduados. Descuido? Trapalhada? O mercado fica apavorado com a briga de rua entre Bolsonaro e Rodrigo Maia. O “Botafogo” foi chamado de namoradinha de beicinho pelo Capitão. A crise escala. Demonizaram a política e desestabilizaram a democracia. Esperavam o quê? O Capitão vota no Congresso? Os generais votam? O MPF vota? De quem é o dever constitucional de aprovar leis? O Executivo encaminha a proposta, mas quem vota? A derrota na Previdência e o caos financeiro podem ser o “pretexto final”. Bolsonaro já disse que não gostaria de fazer a reforma. Os militares são contra. As corporações da Lava jato, elite do funcionalismo público, idem. Que tal o desemprego subindo, a miséria aumentando e a culpa do caos ser dos políticos que só pensam nos seus próprios interesses e de ministros do STF que “vivem de soltar corruptos”? A aliança entre a turma Olavo-Bannon, militares e Lava Jato está emparedando o STF e o Congresso. Rodrigo Maia parece iludido. Ainda não percebeu que ele e seus amigos do Centrão são os inimigos, os próximos na fila do Dr. Bretas. Se a reforma não passar, a aliança entre o mercado e os grandes grupos de mídia vai tentar derrubar Bolsonaro. O Capitão vai reagir. Pode até cair descartado como excesso indesejável, mas nenhum país resiste a tanta instabilidade. Ficando ou caindo, diante do caos, as condições para um fechamento democrático estarão dadas. Quem empurrou o Brasil para esta situação talvez não tivesse noção do que fazia. Bolsonaro está sendo coerente. Tem noção do que faz. Veio para destruir um sistema político definido como “velho e podre” por Merval Pereira e sua trupe.. A gravidade do momento exige que liberais e socialistas, democratas e ativistas de todas as matizes sentem e conversem. A democracia está derretendo no Brasil.

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