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VAZAMENTO DE DADOS

Entidades criticam ação da PF contra auditores da Receita

Operação que apura vazamento de dados de ministros do STF levou ao afastamento de quatro servidores. Unafisco e Sindifisco defendem ampla defesa e questionam medidas cautelares adotadas.

Congresso em Foco

18/2/2026 | Atualizado às 8:45

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A operação da Polícia Federal que atingiu quatro servidores ligados à Receita Federal, suspeitos de acessar e vazar dados fiscais de ministros do STF, provocou reação imediata das entidades representativas da categoria. A Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco Nacional) e o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Sindifisco Nacional) manifestaram preocupação com as medidas cautelares impostas e defenderam a preservação do direito à ampla defesa. O Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) também se posicionou, defendendo seus mecanismos de segurança.

Sede da Superintendência da Receita Federal em Brasília.

Sede da Superintendência da Receita Federal em Brasília.Pillar Pedreira/Agência Senado

Por determinação do ministro Alexandre de Moraes, relator do Inquérito das Fake News, a PF cumpriu na terça-feira (17) quatro mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, Bahia e São Paulo. São investigados Luiz Antônio Martins Nunes, Luciano Pery Santos Nascimento, Ricardo Mansano de Moraes e Ruth Machado dos Santos.

Além das buscas, Moraes determinou o afastamento cautelar dos servidores, a quebra dos sigilos telemático e fiscal, a proibição de acesso aos prédios da Receita Federal e do Serpro, o recolhimento domiciliar noturno e nos fins de semana com uso de tornozeleira eletrônica, a proibição de sair da comarca e do país, com cancelamento de passaportes.

Segundo o STF, foram identificados "diversos e múltiplos acessos ilícitos" aos sistemas da Receita, seguidos de vazamento de informações sigilosas. A investigação também apura possíveis acessos a partir de sistemas do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Unafisco: "medidas cautelares gravosas"

Em nota, a Unafisco Nacional afirmou ver com preocupação a adoção de "medidas cautelares gravosas contra auditor-fiscal em contexto ainda classificado como análise preliminar pela própria Receita Federal".

A entidade declarou defender a apuração rigorosa de eventuais irregularidades, mas com respeito ao devido processo legal, à presunção de inocência e à proporcionalidade. "A aplicação de sanções cautelares extremas exige fundamentação robusta e lastro probatório consistente", afirmou.

A associação relembrou episódio de 2019, no âmbito do mesmo inquérito, quando dois auditores-fiscais foram afastados sob acusação de vazamento de dados fiscais de parentes de ministros do STF e posteriormente reintegrados. Para a entidade, os auditores não podem ser "transformados em bodes expiatórios em meio a crises institucionais ou disputas que não lhes dizem respeito".

Ainda segundo a Unafisco, a "instrumentalização de servidores públicos para deslocar o foco do debate público compromete a credibilidade das instituições e enfraquece o Estado de Direito".

Sindifisco: acesso não é, por si, quebra de sigilo

O Sindifisco Nacional também afirmou acompanhar "com preocupação" as alegações de quebra ilegal de sigilo fiscal. Em nota, o sindicato destacou que o dever de proteção das informações tributárias é "pilar essencial da confiança na administração tributária".

A entidade ressaltou, contudo, que o acesso motivado a dados de contribuintes faz parte da rotina de trabalho dos auditores-fiscais e não configura, por si só, quebra de sigilo. "Já a divulgação de tais dados é crime, sendo um desvio incomum que deve ser punido", afirmou.

O sindicato reforçou que todos os envolvidos devem ter garantido o direito ao contraditório e à ampla defesa e manifestou expectativa de que os fatos sejam esclarecidos com celeridade.

Serpro nega acesso a bases fiscais

O Serpro, responsável por sistemas utilizados por órgãos federais, afirmou que todos os seus ambientes tecnológicos são integralmente rastreáveis, permitindo a identificação e auditoria de eventuais irregularidades.

A estatal declarou que seus empregados "não possuem acesso ao conteúdo das bases de dados dos órgãos clientes" e que sua atuação se limita à provisão e gestão da infraestrutura tecnológica. Segundo a empresa, não há permissão institucional para consulta a informações fiscais ou pessoais armazenadas nas bases sob responsabilidade dos órgãos atendidos.

O Serpro informou ainda que permanece à disposição das autoridades e colabora com as investigações.

Auditoria foi solicitada pelo STF

As apurações tiveram início após o STF solicitar à Receita Federal auditoria interna para identificar eventuais acessos indevidos aos dados de ministros e familiares nos últimos três anos. O procedimento foi incorporado a investigação já aberta pela Corregedoria da Receita.

Em nota, o órgão afirmou que "não tolera desvios, especialmente relacionados ao sigilo fiscal, pilar básico do sistema tributário", e destacou que seus sistemas são "totalmente rastreáveis". Desde 2023, segundo a Receita, foram ampliados os controles de acesso, com restrição de perfis e aumento de alertas. No período, sete processos disciplinares foram concluídos, com três demissões.

O caso tramita sob sigilo no Supremo e integra o Inquérito das Fake News, aberto em 2019 e ainda em andamento.

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