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SEGURANÇA PÚBLICA

Senado aprova envio a presídio federal de quem matar policial

Projeto determina transferência preferencial para presídios federais de segurança máxima e amplia aplicação do regime disciplinar diferenciado. Texto volta à Câmara.

Congresso em Foco

25/2/2026 | Atualizado às 9:01

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O Plenário do Senado aprovou nesta terça-feira (24) o projeto de lei 5.391/2020, que determina a transferência preferencial para presídios federais de segurança máxima de acusados e condenados por homicídio de policiais e outros agentes de segurança pública. Como o texto foi alterado pelos senadores, a proposta retorna agora para a Câmara dos Deputados.

O projeto é de autoria do deputado Carlos Jordy (PL-RJ) e foi relatado no Senado pelo senador Sergio Moro (União-PR), que defendeu a medida como resposta direta ao crime organizado.

Relator no Senado, Sergio Moro fez mudanças no texto. Por isso, proposta terá de ser reanalisada pela Câmara.

Relator no Senado, Sergio Moro fez mudanças no texto. Por isso, proposta terá de ser reanalisada pela Câmara.Jefferson Rudy/Agência Senado

"Esse projeto manda um recado ao crime organizado: quem assassinar um policial vai cumprir a pena em penitenciária federal de segurança máxima, 22 horas em cela individual por dia, com 2 horas de recreação apenas fora da cela", afirmou Moro em Plenário.

Quem será atingido pela regra

O texto altera a Lei nº 11.671/2008 (que trata dos presídios federais) e a Lei de Execução Penal.

Pela proposta, deverão ser recolhidos preferencialmente em estabelecimentos penais federais de segurança máxima os presos provisórios ou condenados por homicídio qualificado contra:

  • Policiais federais, rodoviários federais, ferroviários federais;
  • Policiais civis, militares e penais;
  • Bombeiros militares;
  • Integrantes das Forças Armadas;
  • Agentes da Força Nacional de Segurança Pública.

A regra também se aplica aos casos em que a vítima for cônjuge, companheiro ou parente consanguíneo até terceiro grau desses agentes, quando o crime ocorrer em razão da função exercida.

O parecer aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) reforça que a medida busca "isolar do sistema penitenciário comum aqueles que cometem crimes de homicídio dessa natureza".

Regime disciplinar mais rígido

Além da transferência para presídios federais, o projeto amplia a aplicação do Regime Disciplinar Diferenciado (RDD).

No RDD:

  • As celas são individuais;
  • As visitas ocorrem a cada 15 dias, sem contato físico;
  • A correspondência é fiscalizada;
  • O preso permanece 22 horas por dia na cela;
  • Audiências judiciais ocorrem por videoconferência.

O texto também estabelece que, enquanto estiver no RDD, o preso não poderá progredir de regime nem obter livramento condicional.

A proposta amplia ainda a possibilidade de inclusão no regime diferenciado para presos que tenham reiterado na prática de crimes com violência ou grave ameaça. Emenda aprovada na CCJ deixa claro que o reconhecimento da "reiteração delitiva" não depende da configuração formal da reincidência.

Videoconferência como regra

Outra mudança incorporada no Senado torna regra geral o uso de videoconferência para atos processuais envolvendo presos custodiados em presídios federais, não apenas nos casos de homicídio contra agentes de segurança.

Segundo o relator, a medida reduz riscos de transporte de detentos considerados de alta periculosidade e gera economia processual.

Justificativa: isolar e desestimular

Na justificativa do projeto, Jordy argumenta que homicídios contra agentes de segurança costumam gerar "status" dentro do sistema prisional e que o isolamento em presídios federais seria forma de desestimular esse tipo de crime.

O parecer da CCJ considera a proposta "conveniente e oportuna", afirmando que a prática desse tipo de homicídio revela "intensa ousadia do criminoso" e justifica tratamento mais rigoroso.

Próximos passos

Como o Senado fez ajustes redacionais e incluiu emendas, o texto retorna à Câmara para nova análise. Se os deputados concordarem com as mudanças, o projeto seguirá para sanção presidencial.

A proposta se insere em um conjunto mais amplo de iniciativas aprovadas recentemente pelo Congresso com foco no endurecimento penal e no enfrentamento ao crime organizado, especialmente em resposta a ataques contra forças de segurança.

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Segurança Pública polícia Sérgio Moro Carlos Jordy sistema prisional policiais Senado

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