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ENTREVISTA
Congresso em Foco
2/3/2026 7:00
O endividamento crescente no campo e a dificuldade de acesso ao crédito rural são, segundo o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), Pedro Lupion (Republicanos-PR), a maior urgência do setor hoje.
"Hoje nós temos um problema seríssimo de endividamento rural. Isso está crescendo exponencialmente. O produtor ficou ao relento esperando socorro desesperado", afirmou ao Congresso em Foco.
De acordo com Lupion, a combinação de juros elevados, frustrações de safra e ausência de subvenção federal ao seguro agrícola na última temporada agravou a situação financeira dos produtores. "Na última safra, não tivemos um real de subvenção de seguro agrícola por parte do governo federal", criticou.
Financiamentos encarecidos
A falta de seguro subsidiado aumenta o risco das operações de crédito e encarece os financiamentos. Em um cenário de eventos climáticos extremos — como as enchentes no Rio Grande do Sul e estiagens prolongadas em outras regiões — muitos produtores ficaram sem cobertura adequada.
"Sem crédito e sem seguro, não há como manter a produção. O produtor precisa escolher entre insumos, fertilizante, defensivo. Isso compromete a próxima safra e cria um efeito em cadeia."
A FPA defende a aprovação de uma nova lei de seguros rurais, inspirada no modelo norte-americano, que garanta previsibilidade, estabilidade e independência de mudanças de governo. "Precisa ser um seguro de Estado, não de governo", disse Lupion.
O deputado também cobra medidas de alongamento de dívidas e revisão das regras do Manual de Crédito Rural. Ele menciona a necessidade de mecanismos estruturais — como securitização ou programas permanentes de reestruturação — para evitar que produtores deixem a atividade.
Mérito do produtor
Apesar do desempenho robusto das exportações brasileiras, Lupion afirma que os resultados decorrem da competitividade estrutural do produtor e da demanda internacional, não de políticas federais.
"O Ministério da Agricultura virar despachante de comércio exterior não significa algo positivo para o governo. Isso é mérito do produtor brasileiro."
O agronegócio brasileiro fechou 2025 com recorde de US$ 169 bilhões em exportações e superávit de US$ 149 bilhões. O setor respondeu por quase metade das vendas externas do país, impulsionado por um número recorde de aberturas e ampliações de mercado.
A FPA, que reúne cerca de 350 parlamentares e tem poder decisivo em votações econômicas, pretende pressionar por soluções estruturais no Congresso. Segundo Lupion, a situação no campo exige resposta urgente.
"Se não houver uma ação concreta, o problema vai se aprofundar. E isso impacta não só o produtor, mas toda a economia brasileira."
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