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BANCO MASTER
Congresso em Foco
4/3/2026 | Atualizado às 9:35
A decisão do ministro André Mendonça que autorizou prisões na Operação Compliance Zero, inclusive de Daniel Vorcaro, descreve a existência de uma estrutura paralela de monitoramento e intimidação supostamente utilizada por integrantes do grupo investigado. De acordo com o documento, o núcleo era conhecido como "A Turma".
Segundo a decisão, a organização investigada mantinha "estrutura de vigilância e coerção privada", denominada "A Turma", destinada à obtenção ilegal de informações sigilosas e à intimidação de críticos do conglomerado financeiro.
De acordo com a investigação, o grupo era responsável por atividades de vigilância, coleta de dados e pressão sobre pessoas consideradas prejudiciais aos interesses do conglomerado econômico ligado ao Banco Master. Entre os alvos estariam jornalistas, concorrentes empresariais e ex-funcionários.
Monitoramento de adversários
A decisão aponta que a estrutura era coordenada por um dos investigados, responsável por organizar ações de monitoramento e coleta de informações sobre pessoas consideradas adversárias da organização.
Segundo o documento, ele atuava na "execução de atividades voltadas à obtenção de informações sigilosas, monitoramento de pessoas e neutralização de situações consideradas sensíveis aos interesses do grupo investigado".
Ainda de acordo com a decisão, o grupo promovia ações para identificar, localizar e acompanhar indivíduos ligados a investigações ou a críticas às atividades do grupo econômico.
Intimidação e coleta de dados
O ministro André Mendonça observa que integrantes da estrutura também realizavam consultas e extrações de dados em sistemas restritos de órgãos públicos e repassavam essas informações ao núcleo responsável pelas decisões estratégicas.
A decisão afirma ainda que a estrutura coordenava "ações destinadas a pressionar ou intimidar indivíduos que mantinham posicionamento crítico em relação ao grupo investigado".
Entre os integrantes citados na investigação está um policial federal aposentado, apontado como participante do núcleo responsável por monitorar pessoas consideradas adversárias do grupo.
Pagamentos mensais
A decisão também cita indícios de repasses financeiros para manter a estrutura em funcionamento. Em mensagens analisadas pela investigação, um dos investigados afirma receber pagamentos mensais destinados ao grupo e distribuir os valores entre os integrantes responsáveis pelas atividades.
Segundo o documento, esses pagamentos serviriam para custear as ações de monitoramento e coleta de informações executadas pela estrutura.
Risco às investigações
Para o relator do caso, a existência de um grupo dedicado à coleta de informações e intimidação de críticos reforça o risco de interferência nas investigações.
O ministro menciona que há indícios de monitoramento de autoridades e de acesso a informações sensíveis, o que poderia comprometer a apuração dos fatos.
A Operação Compliance Zero investiga suspeitas de crimes contra o sistema financeiro, corrupção, organização criminosa, lavagem de dinheiro e obstrução de justiça relacionados ao grupo econômico associado ao Banco Master.
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