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RELAÇÕES EXTERIORES
Congresso em Foco
12/3/2026 18:16
Em ofício enviado ao STF, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, expressou preocupação com a possibilidade de visita de Darren Beattie, assessor do governo norte americano, ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo o chanceler, o encontro pode representar uma "indevida ingerência" de Washington em assuntos do Brasil.
"A visita de um funcionário de Estado estrangeiro a um ex presidente da República em ano eleitoral pode configurar indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro", disse Vieira. O chanceler acrescentou que o pedido de reunião "não se enquadra nos objetivos oficialmente comunicados pelo Departamento de Estado".
A agenda fornecida pela Embaixada dos Estados Unidos informava que a viagem seria para participação no Fórum Brasil EUA de Minerais Críticos.
Darren Beattie foi autorizado na quarta feira (11) a visitar Bolsonaro em sua cela, no quartel do 19º Batalhão da PMDF, no Complexo da Papuda, na manhã do dia 18. Na decisão do ministro Alexandre de Moraes, ficou assegurado também ao assessor de Donald Trump o direito de levar consigo um intérprete de línguas, desde que o nome seja previamente informado.
A data escolhida desagradou Bolsonaro, que possui outros compromissos no dia marcado. Sua defesa solicitou que fossem concedidos os dias 16 ou 17 para a visita, pedido negado por Moraes.
Após autorizar a visita, Moraes oficiou o Ministério das Relações Exteriores pedindo informações sobre a agenda diplomática de Beattie e solicitando que o Itamaraty verifique junto à Embaixada se o assessor pretende de fato se encontrar com o ex presidente.
Histórico de Beattie
Assessor do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Beattie atua como responsável por políticas relacionadas ao Brasil. Em declarações públicas anteriores, ele criticou decisões do ministro do STF, a quem chamou de "principal arquiteto da censura e perseguição a Bolsonaro".
De acordo com o Departamento de Estado dos Estados Unidos, o assessor é descrito como "um defensor entusiasta da promoção ativa da liberdade de expressão como ferramenta diplomática".
A visita ocorre em meio a tensões diplomáticas recentes. Em 2025, declarações de Beattie nas redes sociais sobre o julgamento de Bolsonaro levaram o Ministério das Relações Exteriores a convocar o principal diplomata dos Estados Unidos em Brasília para prestar esclarecimentos.
Nos Estados Unidos, também há discussões sobre classificar organizações criminosas brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas estrangeiras. O governo brasileiro acompanha o debate com preocupação e avalia que a medida poderia abrir espaço para intervenções externas.
Após a aplicação de sanções norte americanas contra Moraes, em 2025, o deputado Eduardo Bolsonaro agradeceu publicamente a atuação de Beattie em publicação nas redes sociais.
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