Publicidade
Publicidade
Receba notícias do Congresso em Foco:
STF
Congresso em Foco
14/4/2026 17:43
Gilmar Mendes comparou nesta terça-feira (14) a atuação da CPI do Crime Organizado às práticas adotadas durante a Operação Lava Jato. Segundo o ministro, há repetição de estratégias como vazamentos seletivos, pressão midiática e construção de narrativas que antecipam julgamentos.
A declaração aconteceu durante sessão da 2ª Turma do STF, quando o ministro criticava o pedido de seu indiciamento no relatório apresentado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE). O relator também quer indiciar Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Para o ministro, o comportamento alimenta um ambiente de denuncismo e coloca em risco o devido processo legal. Gilmar Mendes defendeu que há um "quê de lavajatismo" nas iniciativas atuais e alertou para a necessidade de evitar a repetição de erros recentes.
"Vazamentos seletivos, uso de imprensa com a finalidade de constranger investigados, indiciamento quase que automático dos investigados e construção de narrativas e aleivosias que atropelavam o direito de defesa e o devido processo legal. Diante de iniciativas que parece-se repetir agora, não podemos ouvidar o que ocorreu naquela época evacuada com o messianismo e as práticas totalitárias da Lava Jato, sustentadas por um punitivismo inebriado com a expectativa de popularidade."
O ministro afirmou que a Operação Lava Jato lembra figuras como Sergio Moro, Deltan Dallagnol e o ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot. Gilmar Mendes contou que Janot era alcoólatra e, muitas vezes, estava embriagado no meio da tarde.
Na avaliação do ministro, a Corte "provavelmente" recebeu denúncias de alguém que era inimputável. "Claro que a constituinte de 88 não poderia supor que daria, com a Procuradoria-Geral da República, o poder a um alcoólatra, mas assim se fez", declarou. Segundo Gilmar, este é um dos "símbolos da Lava Jato".
"Não gostaria de ficar relembrando coisas tristes, mas me chamaram para dançar. É preciso que a gente chame as coisas pelo nome. O herói de então, Janot, era essa triste figura, que a partir das três horas da tarde já convidava seus interlocutores para tomar uma grapa, e que no final do dia já estava bêbado", afirmou.
Temas