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ECONOMIA

Taxa das blusinhas aumentou preço do varejo, revela estudo

Levantamento econômico revela que, desde a implementação da alíquota, aumento dos preços no varejo ficou acima da inflação.

Congresso em Foco

24/4/2026 | Atualizado às 14:45

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A implementação do tributo de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50,00, a chamada "taxa das blusinhas", resultou em aumento de preços no varejo brasileiro, segundo estudo da consultoria Global Intelligence and Analytics, encomendado pela Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec). Ao mesmo tempo, o levantamento indica que não houve contrapartida na oferta de emprego e renda.

O estudo mostra que, após a criação da alíquota em agosto de 2024, houve elevação nos preços de diversos itens comercializados no país. Cosméticos lideraram a alta, com 17%, seguidos por bijuterias, com 16%, e papelaria, com 13%. Também foram registradas altas em calçados, de 9%, e vestuário, de 7,1%.

Aumento de preços não veio acompanhado de melhora nas ofertas de emprego, aponta pesquisa.

Aumento de preços não veio acompanhado de melhora nas ofertas de emprego, aponta pesquisa. Freepik

De acordo com o levantamento, o aumento nos valores ultrapassou a inflação oficial, que atingiu 5,23% ao longo do período analisado. Os dados, obtidos a partir da comparação de bases oficiais entre 2018 e 2025, sugerem que os reajustes contribuíram para pressionar o índice geral de preços.

A pesquisa também identificou retração na demanda por produtos importados via comércio digital. Desde a entrada em vigor da cobrança, a demanda por esse tipo de mercadoria caiu, com redução média de 19,4% até julho de 2025. Em relação a um cenário estimado sem a taxa, a queda pode chegar a 56%.

O impacto foi mais intenso entre consumidores de menor renda. Segundo o estudo, as classes C, D e E, que concentram a maior parte desse público, foram as mais afetadas pela redução no acesso a produtos importados mais baratos.

Oferta de emprego

Na área de trabalho e rendimentos, o levantamento não encontrou diferenças relevantes após a implementação da cobrança. Indicadores de emprego e salários evoluíram de forma semelhante tanto em setores mais expostos à concorrência internacional quanto nos menos afetados.

Os dados mostram ainda que a remuneração média nos segmentos analisados permaneceu abaixo da média nacional. Enquanto o rendimento médio dos brasileiros superou R$ 3,6 mil mensais em 2025, trabalhadores do varejo impactado receberam cerca de R$ 2,6 mil.

Segundo o diretor-executivo da Amobitec, André Porto, os dados indicam que a "taxa das blusinhas" não foi capaz de promover a melhoria esperada para o ambiente de mercado no Brasil.

"Dado que não houve correspondente efeito positivo na geração de emprego e renda para os trabalhadores destes setores, é possível inferir que a política contribuiu para o aumento da margem de markup de grandes corporações. Não houve o retorno social esperado", afirmou.

Iniciativas legislativas

No Congresso Nacional, tramitam dois projetos de lei para revogar a "taxa das blusinhas": o 3.261/2025, do deputado Kim Kataguiri (Missão-SP), e o 1.440/2025, apresentado pela deputada Dani Cunha (PL-RJ). O primeiro exclui diretamente a alíquota, enquanto o segundo garante ao e-commerce uma cota de isenção de até US$ 50,00 ao mês.

Ambos os textos estão em análise na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara e ainda devem passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e, no caso do projeto de Kim Kataguiri, pela Comissão de Desenvolvimento Econômico. As propostas tramitam em regime conclusivo, ficando dispensada a votação em Plenário caso haja concordância nos colegiados, salvo recurso contrário.

Segundo o professor da FGV, fundador da consultoria Global Intelligence and Analytics e ex-secretário de Comércio Exterior do Ministério da Economia, Lucas Ferraz, a facilitação do e-commerce tem potencial para beneficiar toda a sociedade.

"O sucesso da importação via e-commerce deve-se à ampliação das possibilidades de consumo, a preços mais acessíveis, para milhões de brasileiros, sobretudo os mais pobres. A democratização do acesso aos produtos favorece a competitividade, a bancarização e a modernização do varejo", explicou.

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