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Igualdade racial

Comissão aprova incentivo para empresas com 20% de funcionários negros

Proposta permite a criação de incentivos fiscais para empresas com mais de 20 funcionários.

Congresso em Foco

25/5/2026 19:00

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A Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara aprovou um projeto de lei que autoriza a criação de incentivos fiscais para empresas com mais de 20 funcionários que mantiverem pelo menos 20% de trabalhadores negros em seus quadros.

Com parecer favorável da deputada Erika Hilton (Psol-SP), a proposta também estabelece reserva mínima de 20% das vagas em processos seletivos e editais do setor audiovisual financiados com recursos públicos federais para pessoas negras.

O substitutivo foi apresentado ao projeto de lei 5.882/2005, do ex-deputado Vicentinho, e a outros 16 projetos apensados que tratam de ações afirmativas no mercado de trabalho, no audiovisual e na administração pública.

A proposta altera o Estatuto da Igualdade Racial (Lei 12.288/2010) para prever que o poder público discipline a concessão de incentivos fiscais às empresas que adotarem cota mínima de 20% de trabalhadores negros.

Segundo Erika Hilton, a proposta busca ampliar políticas de promoção da igualdade racial também para o setor privado, retomando medidas debatidas durante a tramitação do Estatuto da Igualdade Racial, mas que acabaram ficando fora do texto final aprovado em 2010.

Proposta foi aprovada com parecer de Erika Hilton.

Proposta foi aprovada com parecer de Erika Hilton.Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

Setor audiovisual

Além da política de incentivos fiscais, o projeto cria reserva de vagas para pessoas negras em processos seletivos do setor audiovisual financiados com recursos públicos federais. O percentual mínimo será de 20% do total de vagas oferecidas.

O texto estabelece que, para acessar as vagas reservadas, o candidato negro deverá assumir funções estratégicas como direção, produção executiva ou responsabilidade principal pela proposta audiovisual, individualmente ou em coautoria.

Segundo o parecer, a proposta busca enfrentar desigualdades históricas no setor audiovisual brasileiro, considerado um dos espaços com maior concentração racial em funções de comando e decisão.

"A presença negra no audiovisual foi um dos campos em que os retrocessos frente a propostas discutidas durante a tramitação do Estatuto da Igualdade Racial foram significativos."

Administração pública

Outro ponto importante do projeto é a alteração à Lei de Licitações (14.133/2021) para criar critério de desempate em contratos públicos. Conforme a proposta, empresas que possuírem programas internos de promoção da igualdade racial em estágio mais avançado de implementação terão preferência na disputa por contratos com o governo.

O projeto também passa a exigir que campanhas publicitárias da administração pública federal reflitam a diversidade racial da sociedade brasileira. A proposta altera a legislação das contratações de publicidade governamental (Lei 12.232/2010) para incluir explicitamente a representação racial nas peças institucionais.

Além disso, o texto determina que os programas do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) garantam diversidade étnico-racial nas políticas de fomento financiadas com recursos públicos.

Tramitação

A proposta ainda será analisada pelas comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Depois disso, seguirá para votação no Plenário da Câmara dos Deputados.

Leia a íntegra do relatório.

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incentivos fiscais Erika Hilton igualdade racial câmara dos deputados

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