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Congresso em Foco
29/5/2026 10:16
O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, anunciou em suas redes sociais a desistência de sua pré-campanha ao Senado nessas eleições: "resolvi tomar a decisão mais difícil da minha vida", declarou. A retirada, segundo ele, é para conseguir se concentrar em sua defesa judicial e em cuidados com a família durante o andamento dos dois inquéritos contra ele, movidos pela Polícia Federal.
"Eu resolvi retirar a minha candidatura ao Senado Federal. E resolvi tirá-la para que eu possa me focar completamente na minha defesa. Vocês sabem, eu sou advogado e eu já analisei, sobretudo, esses dois processos. (...) Preciso cuidar dos meus filhos, da minha casa, da minha esposa, das pessoas que eu amo, das pessoas que estiveram comigo durante toda essa caminhada", explicou.
Veja a fala:
Castro afirma que as investigações contra ele são compostas por "narrativas que, muito pior do que a mentira, são a meia-verdade". "Infelizmente, no Brasil, em épocas pré-eleitorais, e, sobretudo, nessa época onde há um grande embate, essas questões se tornam latentes. Infelizmente, reputações são destruídas", completou.
Inquéritos contra Castro
Cláudio Castro é alvo de duas investigações pela Polícia Federal, ambas conduzidas pelo STF. A primeira, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, trata de suspeitas de envolvimento de sua gestão em um esquema de lavagem de dinheiro e sonegação de impostos pela Refit, antiga Refinaria de Manguinhos.
A empresa obteve incentivos fiscais no início de seu atual mandato, com a premissa de aumentar a participação no mercado de óleo diesel.
A segunda, sob relatoria de André Mendonça, é um desdobramento do inquérito do Banco Master. Castro é suspeito de ter atuado politicamente para facilitar uma série de repasses da Rioprevidência ao banco de Daniel Vorcaro entre 2023 e 2025, potencialmente descumprindo os requisitos legais de liquidez e segurança para investimentos movidos pelo fundo de previdência de servidores do Estado.
"Meus advogados já fizeram a defesa do primeiro caso. E, até a próxima terça-feira (2), também uma nova petição muito robusta será colocada explicando todos os fatos que aconteceram, explicando qual é o papel do governador, até onde vão os limites da atuação do governador", antecipou.
Condenação no TSE
Além dos inquéritos criminais, Cláudio Castro foi condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) à inelegibilidade no último mês de abril. A Corte reconheceu que houve fraude em sua campanha de 2022, decorrente da contratação temporária de funcionários-fantasmas na Fundação Ceperj e na Universidade do Estado do Rio de Janeiro, para que servissem de cabo eleitoral.
Mesmo após a condenação, Castro manteve a pré-candidatura ao Senado de pé, buscando meios de reverter a inelegibilidade. O caso provocou uma crise sucessória no Rio de Janeiro, devendo o STF decidir se o mandato-tampão deverá ser definido via eleição direta ou indireta.
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