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JUDICIÁRIO

TSE mantém Cláudio Castro inelegível e nega cassação de diploma

Corte eleitoral preservou condenação de ex-governador e reconheceu legitimidade de sua renúncia.

Congresso em Foco

2/6/2026 20:39

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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou nesta terça-feira (2), em decisão unânime, o recurso apresentado pelo ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) e manteve sua condenação por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. Com isso, o ex-chefe do Executivo fluminense seguirá inelegível até 2030.

A defesa de Castro pedia a anulação do julgamento anterior, sob o argumento de que houve falha processual e de que não existiriam provas de sua participação direta ou anuência nas irregularidades investigadas. Os ministros, porém, mantiveram o entendimento de que houve uso indevido da estrutura da Fundação Ceperj e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) para beneficiar sua campanha eleitoral.

Na mesma sessão, por 5 votos a 2, os ministros rejeitaram o pedido do Ministério Público Eleitoral para que fosse reconhecida, além da inelegibilidade, a cassação do diploma eleitoral de Cláudio Castro. O órgão sustentou que a renúncia do ex-governador, apresentada na antevéspera do julgamento, teve o objetivo de evitar os efeitos de uma eventual condenação.

Julgamento abre caminho para definição do rito de eleição do governo interino do RJ.

Julgamento abre caminho para definição do rito de eleição do governo interino do RJ.Fernando Frazão/Agência Brasil

Prevaleceu o entendimento do relator, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, de que não houve maioria suficiente na decisão anterior para impor essa sanção. No voto, o magistrado ressaltou que a perda do mandato e a cassação do diploma produzem efeitos práticos semelhantes.

A divergência foi aberta pelo ministro Floriano de Azevedo Marques, acompanhado pela ministra Ana Estela Aranha. Eles defenderam que a cassação do diploma seria consequência obrigatória da condenação por abuso de poder e argumentaram que a renúncia de Castro ao governo, apresentada na véspera da conclusão do julgamento, não deveria impedir a aplicação da punição.

Impacto sucessório

A preservação dos termos do acórdão anterior do TSE abre caminho para que o Supremo Tribunal Federal (STF) dê andamento à ação movida pelo PSD sobre o rito de definição do governador-tampão do Rio de Janeiro. Desde março, o estado é governado interinamente pelo presidente do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), Ricardo Couto.

O desembargador assumiu o cargo em meio a uma tripla vacância. Quando Castro renunciou, o vice-governador Thiago Pampolha estava afastado para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado, enquanto a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) estava sem presidente.

A decisão de preservar o diploma eleitoral de Cláudio Castro reforça a tese de que sua renúncia ao governo foi legítima e teve caráter administrativo. Nesse cenário, a vacância deve ser preenchida por eleição indireta realizada na Alerj.

A ação sobre a sucessão de Cláudio Castro começou a ser julgada em abril, mas foi interrompida por um pedido de vista do ministro Flávio Dino, que considerou necessária a conclusão do processo no TSE antes de uma definição sobre o caso.

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