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Deputados apresentam plano de cooperação penal ao congresso americano

Comitiva de parlamentares governistas apresentou proposta alternativa à classificação de facções como terroristas.

Congresso em Foco

3/6/2026 17:59

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Em missão parlamentar nos Estados Unidos, os deputados Pedro Uczai (PT-SC), líder do PT na Câmara, Pedro Campos (PSB-PE), Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e André Janones (Rede-MG) apresentaram a membros do Partido Democrata, nos Estados Unidos, uma proposta de plano operacional conjunto entre os dois países no enfrentamento ao crime organizado transnacional.

O grupo de deputados governistas foi a Washington após o Departamento de Estado norte-americano anunciar o enquadramento das facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como grupos terroristas.

A classificação retira a competência investigativa das forças policiais dos Estados Unidos, e a transfere à Agência Central de Inteligência (CIA), que fica internamente autorizada a atuar no Brasil. Também abre margem para sanções econômicas a empresas com operação nos dois países, podendo impactar no custo de investimento ao mercado brasileiro.

Plano prevê foco no combate aos meios de financiamento do crime organizado.

Plano prevê foco no combate aos meios de financiamento do crime organizado. Maiara Folly/PT na Câmara

Pelo plano apresentado pelos congressistas brasileiros, o enfrentamento às facções deve ocorrer por meio de cooperação policial, judicial, financeira e diplomática, com respeito à legislação local e sem a classificação de terrorismo.

O texto segue os mesmos parâmetros das sugestões levadas pelo presidente Lula a Donald Trump na reunião do início de maio. "Nessa perspectiva de cooperação entre o Brasil e os Estados Unidos no combate ao crime organizado, no combate ao narcotráfico e nós queremos cooperação, não interferência, não intervenção", apontou Pedro Uczai.

Principais pontos

A tese central do plano é de concentração de esforços em atingir a estrutura econômica das organizações criminosas, bloqueando ativos, rastreando fluxos financeiros e desarticulando redes de apoio, em vez de adotar medidas unilaterais ou politizadas que possam gerar conflitos diplomáticos ou questionamentos sobre a soberania brasileira

O documento identifica dez frentes prioritárias de atuação: rastreamento de dinheiro e lavagem de recursos, cooperação jurídica penal, combate ao tráfico de armas, repressão ao narcotráfico, atuação conjunta com a Interpol, combate à corrupção, enfrentamento de crimes ambientais, combate ao tráfico de pessoas, políticas de redução da demanda por drogas e preservação da soberania brasileira nas ações bilaterais.

Como medidas práticas, propõe a criação de um grupo de trabalho bilateral permanente, intercâmbio de inteligência financeira, rastreamento de armas de origem norte-americana, equipes conjuntas para investigar lavagem de dinheiro, fortalecimento dos mecanismos de assistência jurídica mútua, integração com a Interpol, ações contra economias ilícitas na Amazônia, combate ao tráfico de pessoas, maior controle dos Estados Unidos sobre armas e lavagem de dinheiro.

O texto também sugere que essa agenda seja aplicada a casos concretos, incluindo investigações relacionadas ao Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro, à Operação Carbono Oculto, ao Grupo Refit e Ricardo Magro, ao tráfico internacional de drogas e armas, à mineração ilegal na Amazônia, ao uso de fintechs e criptoativos para lavagem de dinheiro e à cooperação para localização de foragidos.

Tarifaço

A missão parlamentar se dirigiu aos Estados Unidos na mesma semana da publicação do relatório preliminar do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que recomendou ao governo americano a imposição de novas tarifas de importação de 25% sobre produtos brasileiros.

O parecer foi produzido a partir de uma investigação solicitada pelo presidente Donald Trump em 2025, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento utilizado por Washington para reagir a práticas consideradas desleais ou prejudiciais ao comércio americano. A Casa Branca deverá tomar uma decisão sobre a proposta no dia 15 de julho.

Jandira Feghali antecipou que o grupo buscará uma iniciativa do Legislativo americano para evitar a implementação das sanções. "A gente vai pedir uma interferência do Congresso no sentido de dificultar e impedir que se mantenha essa atitude de unilateralismo. Agora nós vamos dar insumos, vamos dar dados para que eles possam agir", declarou.

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