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Judiciário
Congresso em Foco
16/6/2026 | Atualizado às 17:43
Investigações da Polícia Federal apontam que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro mantinha uma relação de proximidade com o senador e presidente nacional do PP, Ciro Nogueira (PI), marcada pelo custeio de despesas pessoais, viagens internacionais e pagamentos periódicos que, segundo a corporação, podem configurar vantagens indevidas. As informações constam em ofício enviado ao ministro do STF André Mendonça. O sigilo do documento foi retirado nesta terça-feira (16).
De acordo com a PF, mensagens extraídas de aparelhos apreendidos indicam a existência de repasses mensais inicialmente fixados em R$ 300 mil e que, em determinados momentos, chegaram a R$ 500 mil. Além dos pagamentos periódicos, a Polícia Federal também identificou indícios de uma entrega de R$ 350 mil em espécie ao senador.
Os pagamentos seriam operacionalizados por Felipe Vorcaro, irmão de Daniel, por meio de empresas ligadas ao grupo.
Segundo a Polícia Federal, os diálogos mostram que Daniel Vorcaro acompanhava pessoalmente a manutenção dos repasses e cobrava a regularidade dos pagamentos. Em junho de 2025, por exemplo, ele reclamou do atraso de "dois meses" em uma transferência relacionada a Ciro Nogueira.
Para os investigadores, os indícios apontam para um vínculo duradouro entre o banqueiro e o parlamentar.
"A atuação parlamentar não se revestiu de caráter episódico, mas integrou arranjo estrutural estável, no qual o exercício da função pública foi instrumentalizado em favor de interesses privados específicos, mediante contrapartida econômica indevida."
A PF sustenta que Ciro Nogueira teria atuado politicamente em defesa de interesses de Vorcaro, incluindo a articulação de propostas legislativas favoráveis ao setor financeiro. O relatório cita especificamente a chamada "emenda Master".
De acordo com os investigadores, o texto da emenda teria sido elaborado pela assessoria do Banco Master, encaminhado a Daniel Vorcaro, impresso e entregue em um envelope endereçado a "Ciro" no endereço residencial do senador. A PF afirma que a versão protocolada no Senado reproduziu "de forma integral" o conteúdo previamente preparado pelo banco.
Para a PF, a emenda tinha potencial de beneficiar diretamente o modelo de negócios do Banco Master, ao ampliar a proteção oferecida a depositantes pelo FGC. Na avaliação dos investigadores, o episódio é um dos principais indícios de que a atuação parlamentar de Ciro teria sido colocada a serviço de interesses privados de Vorcaro.
Viagens, hotéis e jatos particulares
Além dos pagamentos em dinheiro, a Polícia Federal afirma ter identificado um padrão de custeio de despesas pessoais do senador por parte de Daniel Vorcaro. O relatório menciona viagens internacionais, hospedagens em hotéis de luxo, restaurantes sofisticados, eventos privados e deslocamentos em aeronaves particulares pertencentes ao empresário.
Segundo a investigação, Ciro Nogueira utilizou ao menos três vezes aeronaves vinculadas ao grupo de Vorcaro em voos internacionais, com despesas integralmente custeadas pelo banqueiro.
Os investigadores também destacam hospedagens no luxuoso Park Hyatt New York. Documentos analisados apontam que a reserva de uma suíte Royal para o senador custou cerca de R$ 245 mil na cotação da época.
O relatório ainda menciona viagens a destinos como Paris, Lisboa, Nova York e Courchevel, estação de esqui de alto padrão nos Alpes franceses. Em um episódio ocorrido na capital francesa, mensagens indicam que Daniel Vorcaro providenciou e custeou um jantar de Ciro Nogueira no restaurante de luxo Gigi, com despesa superior a R$ 10 mil.
Para a Polícia Federal, o conjunto de pagamentos, viagens e benefícios revela um "tratamento privilegiado" concedido por Vorcaro ao senador, reforçando a suspeita de que as vantagens tinham relação com a atuação política do parlamentar.
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