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Orgulho Autista

Pai atípico, Igor Timo destaca desafios de saúde enfrentados por autistas

Em entrevista ao Congresso em Foco, deputado falou da importância do diagnóstico precoce.

Congresso em Foco

18/6/2026 14:52

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Idealizador da chamada "carreta do autista", o deputado federal Igor Timo (União-MG) contou ao Congresso em Foco que sua ligação e compromisso com a pauta vem da experiência com seus filhos, que estão no espectro autista. Segundo o parlamentar, o contato com a neurodivergência transformou sua forma de enxergar o mundo.

Na avaliação de Igor Timo, a vivência familiar amplia a compreensão sobre a diversidade humana e o papel da sociedade na inclusão. "A verdade é que antes de ser deputado, eu já sou pai e pai atípico. Para mim, essa soma de dores é uma das pautas mais caras. Eu costumo dizer, inclusive, que os nossos autistas são a evolução da espécie", declarou.

Ser pai atípico é um título que o deputado carrega com orgulho. No Brasil, o sentimento se traduz na Lei 15.365/2026, aprovada na Câmara dos Deputados no ano passado. A medida institui o Dia do Orgulho Autista, celebrado oficialmente pela primeira vez nesta quinta-feira (18).

Igor Timo afirmou que "conviver com a diversidade" permite o aprimoramento pessoal junto com seus filhos. Para o deputado, o debate social a respeito das particularidades do diagnóstico deve ser conduzido com compreensão e amor.

"Ampliar esse debate na sociedade é importante para que haja compreensão. É um caminho que precisa ser percorrido com toda resiliência, comprometimento e amor."

O deputado desejou que a data "aflore no nosso coração o amor das nossas mães atípicas". Igor Timo esclareceu que a menção às mães atípicas parte de um entendimento de que os desafios associados ao diagnóstico são grandes.

"Eu falo de mãe porque, normalmente, a mãe atípica carrega uma carga muito maior do que a grande maioria. E a gente sabe que muitas, inclusive, acabam se transformando em mães solo", disse.

Lapso temporal no SUS

Como pai, o parlamentar afirmou que o objetivo de famílias atípicas a longo prazo é semelhante ao de famílias típicas: independência. "É ter uma garantia de que, independente da sua ausência, as coisas vão seguir da melhor forma possível. E, para isso, eu acho que fortalecer as políticas públicas é um papel fundamental", defendeu.

Igor Timo destacou deficiências do serviços de terapia ofertados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo o parlamentar, existe um "lapso temporal" entre a oferta e a tecnologia, além da insuficiência em relação às altas demandas.

"O que é ofertado hoje, inclusive em termos de lapso temporal para as terapias, é muito ínfimo, é muito aquém da demanda daqueles que estão precisando realizá-las para o seu desenvolvimento. Ainda há muito que se melhorar no Sistema Único de Saúde."

Foi a partir da identificação dessa deficiência que surgiu o projeto da "carreta autista". Inspirada em outras ações itinerantes de atendimento médico, a iniciativa começou durante seu primeiro mandato, na legislatura anterior.

A proposta leva especialistas em Transtorno do Espectro Autista (TEA) para que o atendimento médico possa "chegar à ponta". O serviço é fornecido em parceria com prefeituras municipais. Durante as enchentes no Rio Grande do Sul, em 2024, uma das carretas foi utilizada para suporte de saúde no Estado.

"Agora, nós temos um programa do governo federal, que é o Mais Especialistas, que tem atingido muitas pontas, mas eu não vi ainda a carreta do autista, que poderia estar levando esses profissionais para trazer celeridade no diagnóstico."

Diagnóstico precoce

O deputado explicou a importância do diagnóstico precoce para o TEA. De acordo com Igor Timo, esse é um dos maiores desafios no acompanhamento de pessoas com autismo.

"Quanto mais precoce, o diagnóstico permite intervenções em momentos oportunos e que, de fato, permitem o desenvolvimento de uma forma mais adequada. Esse gargalo é, na minha visão, um dos grandes obstáculos que precisa, de fato, ser superado", contou.

Na avaliação do parlamentar, o diagnóstico também seria fundamental para a criação de uma base científica e melhorias na oferta de políticas públicas. Na Câmara dos Deputados, Igor Timo propôs a inclusão de perguntas sobre autismo no Censo, feito pelo IBGE.

Benefício de Prestação Continuada

Igor Timo defendeu ainda o Benefício de Prestação Continuada (BPC), instituído pela Lei 8.742/1993. Segundo o deputado, o auxílio é uma ferramenta fundamental de justiça social e deve ser preservado como mecanismo de apoio às pessoas que realmente necessitam de assistência.

"A verdade é que ofertar a condição para quem precisa dela, seja em qualquer esfera, é fundamental. A gente precisa dar condição para que as pessoas se desenvolvam de uma forma plena. E assistir quem porventura precisa de assistência é o papel do Estado. Então, a gente tem no nosso país, para a nossa tristeza, algumas distorções nesse sentido. Pessoas que porventura tentam tirar proveito de algumas situações na qual não fariam jus ao benefício."

O parlamentar alertou para distorções no sistema, com pessoas que tentam acessar o auxílio sem atender aos critérios legais. Igor Timo destacou que esse tipo de prática pode prejudicar diretamente quem realmente precisa do auxílio. "Para cada pessoa que recebe indevidamente, pode haver outra que deixa de receber", disse.

Como avanço, o deputado também citou a proposta de tornar o laudo de autismo definitivo, evitando a necessidade de renovações constantes. "Já que é uma condição que não tem cura, não se justifica ficar renovando laudos para justificar o benefício", afirmou. Igor Timo destacou que a medida pode facilitar o acesso a direitos e reduzir burocracias para famílias atípicas.

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