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Crime organizado

Vereador de São Paulo é preso em operação contra lavagem de dinheiro

Justiça bloqueou R$ 194 milhões, afastou a diretoria da Transunião e autorizou medidas para garantir a continuidade do transporte público.

Congresso em Foco

25/6/2026 14:18

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O vereador Senival Moura (PT-SP), da Câmara Municipal de São Paulo, foi preso nesta quinta-feira (25) durante a Operação Última Parada, deflagrada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e pela Polícia Civil para investigar um suposto esquema de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital (PCC) por meio da empresa de ônibus Transunião, concessionária do transporte público da capital paulista.

Além do parlamentar, outras duas pessoas foram presas.

A força-tarefa, formada por agentes do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão em endereços da capital, da Grande São Paulo e do município de Extrema (MG).

Segundo o MP-SP, entre os alvos estão integrantes da facção criminosa e pessoas ligadas à administração da empresa.

A Justiça determinou o bloqueio e o sequestro de R$ 194 milhões em contas bancárias dos investigados e da concessionária, além da indisponibilidade de 117 veículos, 21 imóveis e três embarcações.

Também autorizou o afastamento da diretoria da Transunião e comunicou a Prefeitura de São Paulo para adoção das medidas administrativas, regulatórias e contratuais cabíveis, incluindo eventual intervenção na empresa para garantir a continuidade do transporte público.

PT encaminhou o caso de Senival Moura à Comissão de Ética após a prisão do vereador.

PT encaminhou o caso de Senival Moura à Comissão de Ética após a prisão do vereador.Afonso Braga / Câmara São Paulo

Assassinato iniciou as investigações

A investigação teve início em 2020, após o assassinato de Adauto Soares Jorge, então presidente da Transunião. Segundo o Ministério Público e a Polícia Civil, as apurações reuniram "provas robustas" de que a concessionária teria sido utilizada pelo PCC para a prática de lavagem de dinheiro.

De acordo com os investigadores, a empresa recebeu mais de R$ 300 milhões do sistema municipal de transporte apenas em 2025.

O Ministério Público afirma que foi identificado um núcleo paralelo responsável pelas principais decisões da concessionária, incluindo a transferência de recursos para integrantes da facção criminosa.

Outro ponto destacado pela investigação é a evolução do capital social da empresa.

Segundo o MPSP, a Transunião passou de pouco mais de R$ 100 mil para mais de R$ 50 milhões em capital social, sem que a origem dos recursos tenha sido esclarecida durante as apurações. Para os investigadores, a própria alteração societária da empresa pode ter origem ilícita.

MP aponta influência de vereador na empresa

Segundo o Ministério Público e a Polícia Civil, Senival Moura seria apontado pelas investigações como controlador de fato da Transunião, exercendo influência sobre decisões estratégicas da concessionária.

As investigações apontam ainda que o vereador chegou a ser jurado de morte pelo PCC, mas teria sido posteriormente "perdoado" após devolver valores que, segundo os investigadores, teriam sido desviados do esquema.

Mensagens analisadas pelos investigadores indicariam que decisões empresariais e movimentações financeiras dependiam da anuência do parlamentar, identificado em conversas por apelidos como "presidente", "véio", "velhinho" e "vereador".

O Ministério Público também sustenta que Senival Moura seria proprietário de 13 ônibus vinculados à operação da empresa.

A Prefeitura de São Paulo informou que as linhas operadas pela Transunião seguem funcionando normalmente e que aguarda notificação oficial da decisão judicial para avaliar eventuais medidas administrativas e contratuais.

O prefeito Ricardo Nunes (MDB-SP) afirmou que a gestão acompanha os desdobramentos da operação e que adotará as providências necessárias após comunicação formal da Justiça.

"Estamos acompanhando o desdobramento da operação ao mesmo tempo em que temos toda a atenção para que o serviço funcione plenamente, o que tem ocorrido normalmente desde as primeiras horas da manhã."

PT encaminha caso à Comissão de Ética

Em nota divulgada após a prisão, o Diretório Municipal do PT de São Paulo informou que acompanha o desenrolar das investigações e determinou o encaminhamento do caso à Comissão de Ética do partido, conforme prevê o estatuto da legenda.

Segundo o partido, o procedimento poderá resultar em medidas disciplinares, incluindo o afastamento cautelar de Senival Moura e até sua eventual expulsão, assegurados o direito à ampla defesa, ao contraditório e ao devido processo legal.

Na manifestação, o diretório afirmou que "não compactua com qualquer prática ilícita" e defendeu que os fatos sejam rigorosamente apurados pelas autoridades competentes, com respeito às garantias constitucionais.

O PT também reiterou seu compromisso com o combate ao crime organizado, declarou apoio às ações das forças de segurança e defendeu a aprovação, pelo Senado, da PEC da Segurança Pública apresentada pelo Governo Federal.

Operação amplia ofensiva contra o PCC no transporte público

Segundo o Ministério Público, os fluxos financeiros identificados na Operação Última Parada apresentam pontos de contato com os esquemas investigados nas operações Carbono Oculto, Vérnix e Mafiusi.

Esta última foi conduzida pela Polícia Federal para apurar um esquema de tráfico internacional de drogas envolvendo o PCC e a organização mafiosa italiana 'Ndrangheta.

A operação representa mais um desdobramento da ofensiva das autoridades contra a infiltração do crime organizado no sistema de transporte coletivo de São Paulo.

Em 2024, o Gaeco deflagrou a Operação Fim da Linha, que investigou as empresas UPBus e Transwolff por suspeita de lavar dinheiro proveniente do tráfico de drogas, roubos e outros crimes atribuídos ao PCC.

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Senival Moura PCC Lavagem de dinheiro São Paulo transporte público Polícia civil Câmara Municipal de São Paulo

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