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Pré-campanha
Congresso em Foco
29/6/2026 | Atualizado às 9:07
A crise entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) segue produzindo novos capítulos.
Dias após a divulgação do vídeo em que a ex-primeira-dama acusa o senador de tê-la humilhado, Flávio reforçou, em agendas de pré-campanha divulgadas nas redes sociais, um discurso direcionado às mulheres.
Ao abordar a segurança pública, o pré-candidato à Presidência usou a rotina feminina para defender o endurecimento no combate à criminalidade.
Em um vídeo publicado no Instagram, o senador afirmou que muitas brasileiras mudaram hábitos por causa da violência e prometeu uma política mais rígida contra criminosos caso seja eleito.
"As mulheres que estão aqui presentes, a bolsa que vocês usam, ela tem uma alça que é feita para pendurar ela no seu ombro, ficar aqui do lado. Hoje, muitas mulheres por todo o Brasil andam com a bolsa trançada pelo seu corpo, abraçando a sua bolsa, porque pode passar um bandido e roubar a sua bolsa."
Na sequência, Flávio afirmou que pretende inverter o cenário da segurança pública.
"Nós não vamos mais admitir o povo de bem e o povo trabalhador andando com medo nas ruas. Quem tem que ter medo é o bandido e eles vão passar a ter medo a partir de janeiro do ano que vem."
Discurso em meio à crise
A publicação ocorre em meio à repercussão da crise entre Flávio e Michelle Bolsonaro, que levou para o ambiente público divergências antes restritas aos bastidores da família Bolsonaro e do PL.
O episódio também colocou em evidência a relação do senador com um segmento considerado estratégico para qualquer candidatura presidencial: o eleitorado feminino.
No vídeo divulgado na última semana, Michelle afirmou ter sido humilhada por Flávio durante discussões sobre as articulações do partido no Ceará.
A ex-primeira-dama também acusou aliados do senador de traição ao ex-presidente Jair Bolsonaro e afirmou que foi desrespeitada por integrantes do grupo político ligado ao parlamentar.
Presidente nacional do PL Mulher, Michelle construiu nos últimos anos forte influência entre mulheres conservadoras e evangélicas, tornando-se uma das principais lideranças do bolsonarismo junto a esse público.
Ao transformar o desentendimento com Flávio em um episódio público, a ex-primeira-dama levou a disputa familiar para um campo com potencial de impacto eleitoral.
Embora o senador não faça qualquer referência à crise nos vídeos publicados, o discurso direcionado às mulheres reforça uma agenda voltada a um público que passou a ocupar o centro do debate desde a divulgação das declarações de Michelle.
Entenda a crise
O embate teve início após divergências sobre a estratégia do PL para as eleições de 2026 no Ceará. Michelle criticou a possibilidade de aproximação do partido com Ciro Gomes (PSDB-CE), o senador Eduardo Girão (Novo-CE), pré-candidato ao governo do Estado, e defendeu a manutenção da candidatura da vereadora Priscila Costa (PL-CE), de Fortaleza, ao Senado.
Em resposta às declarações da ex-primeira-dama, Flávio afirmou que nunca a humilhou ou desrespeitou e classificou o episódio como uma divergência política.
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, também buscou minimizar o conflito, mas admitiu que a manutenção da crise pode provocar desgaste para o partido às vésperas da disputa presidencial.
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