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Congresso em Foco
2/7/2026 | Atualizado às 19:45
O deputado federal Beto Pereira (Republicanos-MS) pediu à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que analise a estrutura financeira montada em torno da Sports Media Entertainment (SME), empresa responsável pela exploração comercial dos clubes que integram a liga Futebol Forte União (FFU).
Em ofício encaminhado nesta quinta-feira (2) ao presidente da autarquia, Otto Lobo, o parlamentar solicita que o órgão verifique se investidores receberam informações suficientes sobre os riscos envolvidos na operação.
No documento, obtido pela reportagem, Beto Pereira encaminha duas notas técnicas elaboradas pela Secretaria Nacional de Futebol e Defesa dos Direitos do Torcedor, do Ministério do Esporte, que questionam aspectos jurídicos e financeiros da operação.
O deputado afirma que, por envolver emissão de debêntures, cessão fiduciária de direitos creditórios e securitização, o caso também deve ser analisado pela CVM no âmbito de suas atribuições.
Fundo de até R$ 1 bilhão
O principal ponto do pedido diz respeito ao Sports Media Futebol Brasileiro Advisory Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, que realizou oferta pública de cotas de até R$ 1 bilhão destinada a investidores qualificados.
O fundo tem como principal lastro os direitos de arena e de transmissão pertencentes aos clubes da FFU.
Segundo o parlamentar, a distribuição das cotas ocorreu por meio do rito de registro automático previsto na Resolução CVM nº 160/2022, modalidade que dispensa análise prévia do conteúdo da oferta pela autarquia.
Diante disso, ele pede que a comissão avalie se os documentos apresentados aos investidores descreveram adequadamente os riscos da operação ou se houve omissão de informações relevantes.
Ministério aponta risco sistêmico
Os riscos mencionados por Beto Pereira constam da Nota Técnica nº 16/2026 do Ministério do Esporte, assinada em 30 de junho. O documento classifica a estrutura financeira como um potencial risco sistêmico para o futebol brasileiro.
De acordo com a nota, a terceira emissão de debêntures da SME, de aproximadamente R$ 950 milhões, foi garantida pela alienação fiduciária da totalidade das ações da empresa e pela cessão fiduciária das receitas provenientes dos direitos de arena dos clubes.
Caso a dívida não seja quitada, o controle da companhia poderá ser transferido aos credores.
O parecer também alerta que esses títulos foram securitizados e distribuídos entre cerca de 27 fundos de investimento, o que poderia resultar, em caso de execução das garantias, na transferência do controle dos direitos comerciais do Campeonato Brasileiro para investidores sem vínculo com o esporte ou mesmo com o país.
Disputa envolve Judiciário e Cade
A estrutura financeira da SME já é alvo de disputas em diferentes frentes.
O Amazonas FC ingressou na Justiça para contestar as garantias da operação. Paralelamente, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) determinou que a empresa não dificulte a saída de clubes da FFU, fixando multa diária de R$ 250 mil em caso de descumprimento.
Além disso, entidades que representam clubes, jogadores e árbitros defendem a adoção de medidas mais rigorosas sobre o modelo adotado pela empresa. A própria Nota Técnica nº 16 do Ministério do Esporte recomenda o encaminhamento do caso ao Ministério Público Federal para apuração de eventuais irregularidades.
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