Publicidade
Publicidade
Receba notícias do Congresso em Foco:
Arrependimento
Congresso em Foco
10/7/2026 | Atualizado às 9:56
O senador Cleitinho (Republicanos-MG) voltou a pedir desculpas pela foto que solicitou à influenciadora Virginia Fonseca durante a CPI das Bets e afirmou que o episódio foi o maior erro de seu mandato.
Em discurso no plenário do Senado, na quarta-feira (8), o parlamentar disse que não pretende esconder o ocorrido, fez um contraponto com casos de corrupção e defendeu novas medidas para restringir as apostas esportivas.
"Eu não vou nunca ocultar o erro, porque quem fica ocultando o erro é porque continua no erro. Esse aqui foi um erro que eu tive durante o meu processo de senador. Diferente, eu não roubei, não desviei dinheiro de emenda, nunca fiz nada de errado aqui dentro do Senado. A única coisa que eu fiz de errado foi pedir uma foto da influenciadora Virginia para minha filha. Foi um erro, fui um idiota. Esse aqui foi um erro meu e peço perdão novamente."
A foto foi tirada em maio deste ano, durante o depoimento da influenciadora à CPI das Bets.
A atitude provocou críticas de parlamentares e nas redes sociais, por ter ocorrido durante uma investigação sobre a atuação de influenciadores na promoção de plataformas de apostas.
Relato de apostador
Segundo Cleitinho, a decisão de voltar ao tema foi motivada por um encontro com um homem nas dependências do Senado.
O parlamentar afirmou que o cidadão pediu uma foto e, em seguida, disse ter ficado decepcionado com sua postura na CPI. Ainda de acordo com o senador, o homem relatou ter perdido a família e tentado tirar a própria vida em razão do vício em apostas.
Após ouvir o relato, Cleitinho disse ter decidido reforçar o pedido de desculpas e chamar a atenção para os impactos das bets.
O senador afirmou ainda que, após a repercussão do episódio, enviou uma mensagem de voz a Virginia pedindo que ela deixasse de divulgar plataformas de apostas. Segundo ele, a influenciadora deveria usar o alcance de suas redes sociais para alertar os seguidores sobre os riscos do jogo.
Críticas à regulamentação
Durante o discurso, Cleitinho atribuiu ao Congresso parte da responsabilidade pela expansão do mercado de apostas ao lembrar que o setor foi regulamentado pelo Legislativo. Ao mesmo tempo, ressaltou que votou contra as propostas relacionadas aos jogos de azar e citou a atuação ao lado do senador Eduardo Girão (Novo-CE) para barrar projetos de legalização dos cassinos.
O parlamentar também apresentou dados para defender restrições ao setor. Segundo números exibidos por ele, brasileiros gastaram R$ 507 milhões em apostas durante a fase de grupos da Copa do Mundo.
Cleitinho afirmou ainda que, durante o torneio, o percentual de brasileiros que realizaram transferências para plataformas de apostas passou de 11% para 35%.
O senador também citou, que cerca de 20% das pessoas com dependência grave em apostas tentam suicídio, que a procura por atendimento em saúde mental relacionado ao vício em jogos cresceu 140% nos últimos anos e que os impactos das apostas geram um custo anual de aproximadamente R$ 30 bilhões ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Apelo ao Congresso
Ao concluir o pronunciamento, Cleitinho afirmou que o enfrentamento aos efeitos das apostas não deve ser tratado como uma pauta ideológica e defendeu uma mobilização do Congresso para restringir o setor.
"O Brasil sempre foi o país da Copa. Hoje virou o país das bets. Todos os senadores e todos os deputados têm que se posicionar para a gente dar um fim nisso", declarou.
Temas