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Para além das urnas

Da urna às redes: como os memes passaram a fazer parte das eleições

Enquanto a legislação eleitoral evoluiu, a internet criou uma nova forma de acompanhar e comentar cada pleito.

Congresso em Foco

15/7/2026 7:00

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Há 61 anos, quando o Código Eleitoral entrou em vigor, em 15 de julho de 1965, o Brasil ainda votava em urnas de lona e a apuração dos resultados levava dias. Seis décadas depois, a legislação continua sendo a base da Justiça Eleitoral, mas a forma como os brasileiros vivenciam as eleições mudou completamente.

Além da urna eletrônica, da votação pelo e-Título e da apuração quase instantânea, outro elemento passou a integrar o calendário eleitoral: os memes. A cada pleito, situações típicas do dia da votação, campanhas institucionais e até o comportamento dos próprios eleitores são transformados em brincadeiras que rapidamente tomam conta das redes sociais.

Situações do dia da votação, campanhas institucionais e costumes dos eleitores alimentam uma tradição que cresce a cada pleito.

Situações do dia da votação, campanhas institucionais e costumes dos eleitores alimentam uma tradição que cresce a cada pleito.Arte Congresso em Foco | Reprodução / Redes Sociais

Confira alguns dos memes que ajudam a contar, com humor, como também evoluiu a forma de participar das eleições no Brasil.

Quando o domingo de eleição vira meme

O dia da eleição reúne hábitos que se repetem a cada pleito e que acabaram incorporados à cultura digital.

Há quem faça questão de chegar logo na abertura das seções eleitorais para evitar filas, quem deixe a votação para os últimos minutos e quem esqueça o número do candidato ao entrar na cabine.

O humor transforma pequenos episódios do domingo de votação em uma narrativa paralela das eleições, aproximando um momento tradicionalmente formal do cotidiano da internet.

Memes brincam com os eleitores que preferem votar logo nas primeiras horas do domingo para evitar filas.

Memes brincam com os eleitores que preferem votar logo nas primeiras horas do domingo para evitar filas.Reprodução / Bluesky

A corrida para votar nos minutos finais virou um dos memes mais recorrentes das eleições brasileiras.

A corrida para votar nos minutos finais virou um dos memes mais recorrentes das eleições brasileiras.Reprodução / Bluesky

O sigilo do voto também virou piada

O voto secreto é um dos princípios fundamentais das eleições brasileiras e está protegido pela legislação eleitoral. É justamente essa garantia que inspira uma das categorias mais recorrentes de memes sobre o tema.

As brincadeiras exploram o contraste entre o direito de manter a escolha em segredo e a decisão de muitos eleitores de demonstrar publicamente suas preferências por meio de roupas, bandeiras, adesivos ou manifestações nas redes sociais.

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Do santinho ao meme

Embora a campanha eleitoral tenha migrado cada vez mais para o ambiente digital, algumas cenas tradicionais continuam presentes nas eleições brasileiras.

Os santinhos espalhados nas proximidades das seções eleitorais, por exemplo, seguem aparecendo tanto na cobertura jornalística quanto nas brincadeiras compartilhadas nas redes sociais. As montagens exageram situações conhecidas dos eleitores e ajudam a registrar costumes que atravessam diferentes gerações de campanhas.

O excesso de material de campanha nas ruas é um dos temas mais frequentes do humor eleitoral nas redes.

O excesso de material de campanha nas ruas é um dos temas mais frequentes do humor eleitoral nas redes.Reprodução / Redes sociais

A distribuição de santinhos nas proximidades das seções eleitorais continua rendendo críticas e memes a cada pleito.

A distribuição de santinhos nas proximidades das seções eleitorais continua rendendo críticas e memes a cada pleito.Reprodução / X

O título eleitoral ganhou protagonismo

As campanhas de emissão e regularização do título eleitoral passaram a dialogar com referências que fazem sucesso na internet.

Nos últimos anos, memes inspirados em filmes, séries, músicas e tendências das redes sociais passaram a ser adaptados para incentivar os eleitores a regularizar a situação eleitoral ou emitir o documento.

Ao utilizar referências conhecidas do público, essas publicações aproximam um tema institucional do universo da cultura pop.

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Um post compartilhado por Brisa Bracchi (@brisabracchi13)

Memes também fazem campanha

A comunicação da Justiça Eleitoral também mudou ao longo dos últimos anos.

Além das campanhas tradicionais, o TSE passou a produzir conteúdos inspirados em memes, vídeos virais e referências da internet para divulgar informações sobre o calendário eleitoral e estimular a participação dos eleitores.

A estratégia busca aproximar a comunicação institucional de um público acostumado a consumir informações por meio das redes sociais.

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Um post compartilhado por TSEJus (@tsejus)

Pilili inaugurou a temporada eleitoral de 2026

O lançamento de Pilili, mascote criada pelo TSE para celebrar os 30 anos da urna eletrônica, mostrou como campanhas institucionais também passaram a integrar o universo dos memes.

Inspirada no som emitido pela urna eletrônica ao confirmar o voto, Pilili rapidamente virou meme nas redes sociais. Apoiadores e críticos da mascote produziram montagens e trocadilhos, que foram de brincadeiras como "Ser Pililiquer é gostoso demais" a versões mais irreverentes, como a do Cebolinha no banheiro gritando "Pilili!".

A mascote Pilili rapidamente virou protagonista de trocadilhos e montagens nas redes sociais.

A mascote Pilili rapidamente virou protagonista de trocadilhos e montagens nas redes sociais.Reprodução / X

O nome da mascote do TSE inspirou memes baseados apenas na sonoridade da palavra.

O nome da mascote do TSE inspirou memes baseados apenas na sonoridade da palavra.Reprodução / X

Mais do que um caso isolado, Pilili simboliza uma transformação na forma como a Justiça Eleitoral se comunica com a população: utilizando uma linguagem mais leve, visual e conectada às dinâmicas das redes sociais.

Da espera de dias ao meme da apuração

A implantação da urna eletrônica transformou não apenas a forma de votar, mas também a expectativa pelo resultado. Se durante décadas a apuração podia levar horas ou até dias, hoje milhões de brasileiros acompanham a divulgação dos votos praticamente em tempo real.

A rapidez do sistema brasileiro virou motivo de orgulho para muitos eleitores e também inspiração para memes. Um dos mais compartilhados brinca com a diferença entre o Brasil e países que ainda utilizam cédulas de papel, afirmando que seria impossível imaginar esperar dias para conhecer o resultado de uma eleição.

Mais do que uma piada sobre a velocidade da contagem, as publicações refletem uma mudança na experiência eleitoral. O que antes era um processo de longa espera passou a ser acompanhado quase instantaneamente, permitindo que a repercussão nas redes sociais comece ainda durante a divulgação dos primeiros boletins.

A comparação entre a apuração quase imediata no Brasil e a contagem mais demorada em outros países, como os EUA, inspira brincadeiras a cada eleição.

A comparação entre a apuração quase imediata no Brasil e a contagem mais demorada em outros países, como os EUA, inspira brincadeiras a cada eleição.Reprodução / X

Uma tradição que não está no Código

Ao longo de seis décadas, as eleições brasileiras incorporaram novas tecnologias, novas formas de comunicação e novos hábitos. Nesse processo, o humor também encontrou espaço. Os memes passaram a registrar, quase em tempo real, como os brasileiros enxergam e vivenciam cada pleito, transformando regras, costumes e acontecimentos do processo eleitoral em uma linguagem própria das redes sociais.

Se antes a memória de uma eleição era construída principalmente pelos resultados das urnas e pelos programas eleitorais, hoje ela também fica marcada pelas imagens, frases e brincadeiras que circulam na internet.

Uma demonstração de que, além de acompanhar a evolução da democracia, as eleições passaram a refletir a forma como os brasileiros se comunicam e compartilham suas experiências no ambiente digital.

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