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DIREITOS DOS ANIMAIS

Gleisi Hoffmann defende fim da exportação de animais para abate

Projeto prevê proibição da venda de animais para abate em outros países, preservando exportações para pesquisas ou reprodução.

Congresso em Foco

1/8/2026 9:00

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A deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR), ex-ministra das Relações Institucionais, apresentou à Câmara dos Deputados o projeto de lei 4.795/2026, que prevê a proibição da exportação de animais vivos quando destinados ao abate ou à engorda para abate no exterior. A proposta também estabelece regras de fiscalização e um conjunto de sanções administrativas para quem descumprir a vedação.

Pelo texto, a proibição alcança exportações por qualquer modal de transporte e para qualquer país de destino, incluindo operações de reexportação e trânsito aduaneiro quando o destino final dos animais for o abate.

Permanecem permitidas, porém, as exportações de reprodutores e matrizes destinados ao melhoramento genético, animais para pesquisa, conservação, exposições e zoológicos, além de animais de companhia e material genético. O projeto ainda exige que o exportador comprove documentalmente a finalidade declarada da operação.

Deputada argumenta que custo ambiental, reputacional e sanitário da venda para abate ultrapassa ganhos econômicos.

Deputada argumenta que custo ambiental, reputacional e sanitário da venda para abate ultrapassa ganhos econômicos. Diego Padgurschi/Folhapress

Fiscalização e sanções

A proposta determina que a Receita Federal não processe o despacho aduaneiro sem a comprovação de que a operação não se enquadra na vedação. Também atribui à autoridade portuária e à autoridade marítima a responsabilidade de impedir embarques irregulares e prevê fiscalização pelo órgão federal de defesa agropecuária, com apoio de outros órgãos públicos.

Em caso de descumprimento, o texto estabelece penalidades como advertência, multa de R$ 2 mil a R$ 20 mil por animal, apreensão dos animais, suspensão ou cassação da habilitação para exportar e proibição de contratar com a administração pública ou obter crédito de instituições financeiras oficiais.

As sanções poderão ser aplicadas de forma cumulativa, observados critérios como a gravidade da infração, o número de animais envolvidos e a reincidência.

Argumentos da autora

Na justificativa, Gleisi Hoffmann argumenta que a exportação de animais vivos para abate representa parcela reduzida da atividade pecuária brasileira, mas gera impactos que, em sua avaliação, superam seus benefícios econômicos.

Segundo a deputada, "Trata-se, portanto, de um nicho economicamente marginal, cujo custo reputacional, sanitário e ambiental é desproporcional à sua contribuição para a balança comercial".

A parlamentar sustenta que o projeto foi estruturado para evitar brechas que permitam contornar a proibição e para preservar exportações que não estejam relacionadas ao abate. Conforme afirma na justificativa, "Critério objetivo produz norma autoaplicável; critério indeterminado produz litígio".

Gleisi Hoffmann defende ainda que a vedação produza efeitos imediatamente após a publicação da lei, sem um período de implementação. Para a deputada, "qualquer prazo de transição, na prática, funciona como janela de expansão", ao incentivar o aumento dos embarques antes da entrada em vigor da proibição.

Ela acrescenta que o setor atua há anos sob um cenário de discussão judicial e legislativa sobre o tema, tratando-se de uma prática que já é encoberta de insegurança jurídica.

Por fim, a autora destaca que os países compradores de animais brasileiros de abate são, na maior parte, os do Oriente Médio, e que a vedação apenas mudaria o produto vendido, transferindo as vendas ao setor de carnes processadas, ampliando a geração local de emprego e a arrecadação.

"O Brasil é o maior exportador mundial de carne halal e já abastece, com produto processado, os mesmos mercados para os quais embarca animais vivos", apontou.

Veja a íntegra do projeto.

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gleisi Hoffmann projeto de lei agropecuária câmara dos deputados

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