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JUDICIÁRIO

Dino determina que União detalhe recursos previstos para a CVM em 2027

Governo deverá estimar arrecadação da taxa que financia a autarquia e os custos necessários para sua atuação no mercado de capitais.

Congresso em Foco

30/7/2026 12:10

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O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira (30) que a União informe quanto pretende destinar em 2027 à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão responsável por fiscalizar o mercado de capitais no Brasil.

O governo também deverá apresentar a previsão de arrecadação da Taxa de Fiscalização dos Mercados de Títulos e Valores Mobiliário (TFMTVM), cobrada das instituições financeiras sob supervisão da CVM; e calcular quanto a autarquia precisa para exercer suas atividades de fiscalização.

Flávio Dino considera projeções necessárias para aferir se os investimentos previstos atendem às necessidades da CVM.

Flávio Dino considera projeções necessárias para aferir se os investimentos previstos atendem às necessidades da CVM. Gustavo Moreno/STF

Recuperação da CVM

A decisão integra uma ação apresentada pelo Partido Novo sobre a falta de financiamento da CVM. A autarquia é encarregada de fiscalizar operações envolvendo ações, fundos de investimento e outros valores mobiliários, com a função de coibir irregularidades e proteger investidores.

O processo chegou ao STF após serem identificadas deficiências na estrutura da CVM, como falta de pessoal, acúmulo de processos e limitações na capacidade de investigar e punir irregularidades.

Diante do quadro, a Corte determinou que os recursos arrecadados com a TFMTVM fossem destinados à autarquia, descontada apenas a parcela que a Constituição permite à União desvincular, e ordenou a elaboração de um plano para reforçar sua atuação.

O plano emergencial apresentado pelo governo foi homologado no início de julho.

Entre as providências previstas estão a análise do estoque de processos, a recomposição do quadro de servidores, a integração de bases de dados e a ampliação da cooperação com outras instituições, como o Banco Central. A União ainda precisa entregar um plano de médio prazo, com as projeções de investimentos e ações para 2027 e os anos seguintes.

Discussão orçamentária

O Partido Novo voltou ao Supremo alegando que não havia garantia de que o Orçamento de 2027 reservaria recursos suficientes para a CVM. A legenda pediu que Dino obrigasse o governo a inserir desde já uma dotação mínima no projeto orçamentário, equivalente à parcela da arrecadação que deve ser repassada à autarquia.

Dino considerou prematuro fixar diretamente esse valor, uma vez que o prazo para a apresentação do plano de médio prazo ainda não terminou. O ministro ressaltou que o governo tem liberdade para definir como os recursos serão distribuídos e executados, desde que respeite as decisões do STF de assegurar condições para o funcionamento da CVM.

O relator acolheu, no entanto, o pedido para que a União apresente informações detalhadas antes do envio da proposta orçamentária ao Congresso. Segundo Dino, "a ausência desse dado inviabiliza a adequada aferição da proporcionalidade e da suficiência dos investimentos que serão projetados em face das necessidades institucionais da CVM já reconhecidas em decisões anteriores".

O ministro também determinou que o governo calcule o custo real das atividades necessárias para prevenir, investigar e punir irregularidades no mercado de capitais. Esse levantamento deverá considerar os recursos humanos, tecnológicos, operacionais e financeiros exigidos para que a autarquia cumpra suas atribuições.

Ao defender esse diagnóstico, Dino alertou que a demora na recuperação da CVM cria ambiente propício ao uso de fundos e de outros produtos financeiros em esquemas criminosos de grande valor. "Tais delitos e as organizações criminosas que os perpetram não podem continuar ocultos e protegidos em 'camadas de falcatruas no mercado de capitais", escreveu.

Veja a íntegra da decisão.

Processo: ADI 7.791-DF

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