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CRIME ORGANIZADO

Ex-deputado condenado por ligação com jogo do bicho é preso na Bolívia

Condenado a mais de 15 anos de prisão, ex-deputado estadual do PL de Mato Grosso do Sul é apontado pelo Ministério Público como líder de organização criminosa que disputava o controle do jogo ilegal no Estado.

Congresso em Foco

3/8/2026 | Atualizado às 12:05

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O ex-deputado estadual Roberto Razuk Filho, o Neno Razuk (PL), foi preso neste domingo (2) na Bolívia, depois de permanecer foragido por quase um mês. Condenado a mais de 15 anos de prisão por organização criminosa, roubo e exploração do jogo do bicho, ele era procurado desde 8 de julho.

Segundo informações divulgadas após a detenção, Neno foi abordado por policiais bolivianos e apresentou a Carteira Nacional de Habilitação. A consulta ao documento revelou a existência do mandado de prisão. Ele teria sido entregue às autoridades brasileiras horas depois.

A Justiça de Mato Grosso do Sul já havia determinado que a Polícia Federal solicitasse à Interpol a inclusão do nome do ex-deputado na difusão vermelha, alerta internacional usado para localizar pessoas procuradas pela Justiça. Além da pena de prisão, Neno foi proibido de exercer cargo público por oito anos.

Deputado e familiares são acusados de integrar organização criminosa armada dedicada à exploração ilegal de jogos de azar.

Deputado e familiares são acusados de integrar organização criminosa armada dedicada à exploração ilegal de jogos de azar.Divulgação/ALMS

Mandato terminou após recontagem

Neno foi condenado em 2025, mas permaneceu em liberdade enquanto ainda exercia mandato na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul. Em maio deste ano, deixou o cargo depois que uma recontagem dos votos da eleição de 2022 alterou a composição da Casa.

A decisão encerrou uma passagem de oito anos pela Assembleia. Neno passou a ser procurado em julho para começar a cumprir a pena.

O ex-deputado negou envolvimento com o jogo do bicho ao ser alvo da operação, em dezembro de 2023. Na ocasião, afirmou ter sido surpreendido pela investigação e disse que o processo demonstraria sua inocência.

Acusação aponta grupo armado

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul atribui a Neno a liderança de uma organização criminosa armada dedicada à exploração de jogos ilegais em Campo Grande e em outras regiões do estado.

Segundo a acusação, o grupo recorria a corrupção, lavagem de dinheiro, ameaças e roubos para eliminar concorrentes e assegurar o monopólio da contravenção. Policiais militares da reserva e um ex-policial também teriam integrado a estrutura, usando armas e a condição funcional para intimidar rivais.

A investigação começou após roubos de malotes pertencentes a grupos concorrentes. Em dois dos três casos registrados, as vítimas teriam reconhecido um sargento da Polícia Militar como um dos autores.

Antes da operação, cerca de 700 máquinas usadas no jogo do bicho haviam sido apreendidas em um imóvel apontado como quartel-general da atividade ilegal no bairro Monte Castelo, em Campo Grande.

Família Razuk foi alvo de operação

Neno, o pai, Roberto Razuk, e os irmãos Rafael Godoy Razuk e Jorge Razuk Neto foram alvos da quarta fase da Operação Successione, deflagrada em novembro de 2025. Ao todo, a ação cumpriu 20 mandados de prisão preventiva e 27 de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul, Paraná, Goiás e Rio Grande do Sul.

Outras 16 pessoas também foram incluídas nessa etapa da investigação. O Ministério Público sustenta que a organização avançou sobre áreas antes controladas por grupos enfraquecidos por operações policiais.

Roberto Razuk é apontado pelo Gaeco como antigo responsável pela exploração do jogo do bicho no sul de Mato Grosso do Sul. Segundo as investigações, a área teria sido repassada a ele após a divisão do esquema anteriormente comandado por Fahd Jamil.

O território de Campo Grande teria ficado sob influência de Jamil Name, enquanto Dourados e Ponta Porã passaram para o grupo de Razuk.

R$ 600 mil por mês

Durante as investigações, agentes apreenderam equipamentos usados nas apostas e documentos que indicariam movimentação mensal de pelo menos R$ 600 mil.

A acusação pediu ainda o bloqueio de R$ 36 milhões em bens ligados à família Razuk. A medida busca impedir a movimentação do patrimônio e assegurar eventual ressarcimento dos valores obtidos com as atividades ilegais.

A Operação Successione teve quatro fases entre dezembro de 2023 e novembro de 2025. Ao longo desse período, foram cumpridas dezenas de ordens judiciais contra integrantes do grupo, policiais e pessoas suspeitas de colaborar com a expansão do jogo do bicho no estado.

Com a prisão na Bolívia, Neno deverá começar a cumprir a pena de mais de 15 anos, enquanto a Justiça analisa as medidas patrimoniais pedidas contra ele e outros integrantes da família Razuk.

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Nezinho Razuk Mato Grosso do Sul assembleia legislativa pl bolívia Ministério Público jogo do bicho crime organizado

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