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Congresso em Foco
5/8/2026 16:36
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, em entrevista concedida nesta quarta feira (5), a ampliação da responsabilização de pessoas e empresas envolvidas na propagação de informações falsas sobre saúde nas redes sociais. Segundo o chefe de governo, a prática é uma "perversidade" e exige uma resposta do poder público.
"Eu acredito que nós precisamos ser mais duros no controle da perversidade de alguns humanos na utilização das redes digitais", disse ao Meteoro Brasil. Lula afirmou que a liberdade de manifestação não pode ser usada como justificativa para a divulgação de conteúdos capazes de induzir a população a colocar a própria saúde em risco.
"O cara pode brincar com o que ele quiser, o cara pode falar o que ele quiser, o cara pode discutir. Agora, o que a pessoa não pode é utilizar um celular, um computador, para desinformar as pessoas com relação a doenças", completou.
Veja a fala:
Para o presidente, a desinformação em saúde decorre de um problema cultural no Brasil, onde parte da população frequentemente se considera apta a comentar sobre assuntos para os quais não possui formação.
"Se você estiver em um restaurante com 10 pessoas e você falar que está com uma dor, tem 10 'médicos ali na hora para dar palpite na sua dor. Se você falar de futebol, tem 10 caras para escalar o time" ironizou.
Orientações médicas, porém, deveriam, na avaliação de Lula, ser tratadas com maior rigor técnico. "A saúde tem que ter conhecimento científico, ninguém pode brincar com a saúde, ninguém pode ficar dando palpite. 'Eu tomei tal remédio, toma também, eu fiz tal coisa, faça também, não é assim que funciona a saúde".
Memória da pandemia
Lula também relembrou a condução do governo Bolsonaro durante a pandemia da covid 19 e criticou o antecessor por, segundo ele, não enfrentar o problema com seriedade. "Ele ia para a televisão zombar de velhinho tossindo, ia zombar de gente com dificuldade de respirar, negou oxigênio para Manaus", apontou.
Na avaliação do chefe de governo, Bolsonaro deveria ter reconhecido que a pandemia precisava ser conduzida com a participação de especialistas. "Um presidente tem que saber criar um comitê de crise e convocar os especialistas do Brasil que entendem o assunto para falar todo dia com a sociedade, para bem informar a sociedade", sustentou.
Ação futura
O presidente defendeu uma participação mais ativa das plataformas digitais na prevenção e na retirada de conteúdos nocivos. Ele também relembrou os decretos editados durante sua gestão sobre o tema.
Ao final da entrevista, Lula prometeu trabalhar em uma ação conjunta com a Advocacia Geral da União e o Ministério da Saúde para "saber o que a gente pode fazer de mais duro para responsabilizar o criminoso que acha que é liberdade de expressão falar bobagem para a sociedade, desinformar as pessoas sobre doenças".
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