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PERFIL ELEITORAL
Congresso em Foco
19/8/2026 | Atualizado às 11:48
A disputa pelas 513 vagas da Câmara dos Deputados terá menos candidatos em 2026 e apresenta mudanças no perfil de quem tenta chegar à Casa. A participação das mulheres subiu de 35% para 37% em relação a 2022, o número de candidatos indígenas passou de 50 para 75 e a proporção de postulantes com ensino superior avançou de 68% para 71%. Os candidatos também estão mais jovens: a idade média caiu para 47 anos.
Ao todo, 7.620 pessoas registraram candidatura a deputado federal neste ano, ante 9.477 em 2022, uma redução de quase 20%. Os números ainda podem sofrer alterações durante a análise dos registros pela Justiça Eleitoral. No caso das mulheres, o crescimento ocorreu em termos proporcionais, já que o número total de candidaturas diminuiu. Entre os indígenas, houve avanço também em números absolutos: são 75 candidatos neste ano, 50% a mais que os 50 registrados em 2022.
Mulheres chegam a 37% das candidaturas
As mulheres somam 2.781 candidaturas a deputada federal e representam 37% do total. Em 2022, correspondiam a 35%.
O avanço é ainda mais evidente em uma comparação histórica. Em 2002, apenas 11% dos candidatos à Câmara eram mulheres. Desde então, mudanças nas regras eleitorais ampliaram mecanismos de incentivo à participação feminina, como a destinação de recursos de campanha e de tempo de propaganda.
A presença nas candidaturas, porém, continua bem superior à representação dentro da Câmara. Atualmente, mulheres ocupam cerca de 18% das 513 cadeiras. A proporção feminina entre os candidatos de 2026 é, portanto, aproximadamente o dobro da observada no plenário.
Candidaturas indígenas crescem 50%
O crescimento mais expressivo ocorre entre os indígenas. O número de candidatos indígenas a deputado federal passou de 50, em 2022, para 75 neste ano, alta de 50%.
A quantidade de candidaturas contrasta com a representação indígena na atual legislatura. Atualmente a Câmara registra quatro deputados autodeclarados indígenas: Sonia Guajajara (Psol-SP), Célia Xakriabá (Psol-MG), Juliana Cardoso (PT-SP) e Paulo Guedes (PT-MG).
Também aumentou o número de pessoas trans na disputa pela Casa. São 24 candidaturas em 2026, ante 19 na eleição passada. Desde 2023, a Câmara tem duas parlamentares trans: Erika Hilton (Psol-SP) e Duda Salabert (Psol-MG).
Mais escolarizados e mais jovens
A escolaridade também aumentou ligeiramente este ano entre os postulantes à Câmara. Sete em cada dez candidatos a deputado federal têm ensino superior. A proporção passou de 68% em 2022 para 71% neste ano. Na idade, o movimento é de rejuvenescimento. A média dos candidatos a deputado federal caiu de aproximadamente 48,5 anos em 2022 para 47 anos em 2026.
O comportamento dos postulantes à Câmara vai na direção contrária ao observado no conjunto das eleições. Considerando candidatos a todos os cargos, a média de idade aumentou de 48,7 para 49,5 anos. Assim, enquanto o conjunto dos candidatos brasileiros envelheceu, quem disputa uma cadeira de deputado federal ficou, em média, mais jovem.
Empresários e advogados se destacam
A ocupação declarada pelos candidatos também ajuda a compor o perfil eleitoral. No conjunto das candidaturas a todos os cargos em 2026, empresários formam o maior grupo profissional, com 12,5% do total. Em seguida aparecem os advogados, com cerca de 8,3%. Deputados são a terceira ocupação mais frequente, com aproximadamente 4,3%.
A presença dos empresários cresceu nas últimas décadas. Em 2002, eles correspondiam a cerca de 6% das candidaturas e, desde 2010, passaram a liderar o levantamento de ocupações. Advogados, que apareciam em primeiro lugar no fim dos anos 1990, hoje ocupam a segunda posição.
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