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Congresso em Foco
10/9/2026 19:20
O deputado Mario Frias (PL-SP) afirmou nesta quinta-feira (10) que vai colaborar com as investigações da Polícia Federal sobre o financiamento de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro do qual é produtor-executivo. Alvo de busca e apreensão pela manhã, o parlamentar declarou que vai entregar todos os documentos solicitados pela Justiça.
A PF cumpriu mandado na residência de Frias durante a Operação Make Up, que apura o possível uso irregular de emendas parlamentares e outros recursos públicos destinados a entidades e empresas ligadas à produção do longa-metragem.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Frias sustentou que os recursos das emendas não passam diretamente pelos parlamentares, mas são repassados aos responsáveis pela execução dos projetos. "Ela vai do Tesouro para o órgão executor, que aprova um plano de trabalho previamente e fiscaliza prestação de contas", apontou.
Segundo o deputado, os repasses investigados serviram para "contemplar um projeto esportivo e outro de letramento digital para tirar crianças da rua, para ensinar crianças, jovens e adolescentes a se desenvolverem intelectualmente". E reforçou: "emenda pública, registrada, transparente, que qualquer um pode consultar no Portal da Transparência".
O congressista relatou não ter tido acesso aos autos do inquérito, e criticou a Corregedoria-Geral da União pela forma com que a apuração é conduzida. "Se há alguma nota [fiscal] que a CGU quer ver, isso se resolve com documento, não com operação em ano de eleição, cortina de fumaça".
Frias associou a operação ao período eleitoral e disse esperar que a investigação seja arquivada. "Há um mês de eleição, vou colaborar com tudo que for pedido. Vou entregar cada documento e vou seguir na rua, mantendo a minha agenda, representando São Paulo e apoiando o meu presidente Flávio Bolsonaro."
Operação da PF
A Operação Make Up foi deflagrada pela Polícia Federal em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU) para esclarecer a origem e a movimentação dos recursos utilizados na produção de Dark Horse. Foram expedidos 49 mandados de busca e apreensão contra 22 pessoas em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal, por decisão do ministro Flávio Dino, do STF.
Uma das frentes busca esclarecer se recursos de uma emenda de Frias destinada ao Instituto Conhecer Brasil (ICB) chegaram posteriormente à Go Up Entertainment, produtora do filme.
O instituto pagou R$ 700 mil a duas empresas, enquanto a NTT Brasil, ligada ao mesmo núcleo empresarial, transferiu depois R$ 750 mil para a Go Up. A PF considera relevantes a proximidade dos valores, as relações entre as empresas e a sequência das transações, mas não estabelece que o valor recebido pela produtora seja o mesmo proveniente da emenda.
A análise financeira registrou ainda transferências de R$ 645,4 mil feitas pelo próprio Frias à Go Up em menos de 60 dias. Somados aos R$ 750 mil enviados pela NTT Brasil, os repasses à produtora chegaram a quase R$ 1,4 milhão. Os investigadores tentam esclarecer a origem dos recursos transferidos pelo parlamentar.
A CGU encontrou indícios de irregularidades nas contratações realizadas com recursos do projeto Jovem Empreendedor, executado pelo ICB com R$ 1 milhão da emenda de Frias.
A auditoria apontou sinais de montagem de pesquisa de preços e possível direcionamento de uma contratação. A PF apura suspeitas de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes relacionados a licitações.
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