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Histórico

Veja regras de trânsito propostas no Congresso que não saíram do papel

De adesivo para recém habilitado ao fim dos alertas sonoros em garagem, conheça medidas que não vingaram no Legislativo.

Congresso em Foco

22/9/2026 14:03

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O Congresso Nacional já discutiu, e até chegou a aprovar, regras de trânsito que hoje parecem pertencer a outra realidade. Entre uso de calçados para dirigir e adesivos para recém habilitados, o Código de Trânsito Brasileiro não deixou de ser matéria legislativa nos 29 anos desde sua sanção.

Algumas ideias morreram ainda nas comissões, outras foram vetadas pelo presidente da República e há também aquelas que se tornaram realidade devido a novas tecnologias que modificaram o entendimento.

As regras de trânsito que o Congresso tentou criar e não sobreviveram.

As regras de trânsito que o Congresso tentou criar e não sobreviveram.Arte Congresso em Foco.

Recém habilitado

Muito antes de viralizarem os adesivos de "Recém habilitada, seja paciente", o então deputado Pedro Guerra apresentou o projeto de lei 6.490/2013 para obrigar motoristas principiantes a identificarem essa condição no veículo.

O texto determinava o uso, na parte interna do vidro traseiro, de um adesivo com 15 centímetros com a letra "P". Na versão original, a identificação seria obrigatória durante os primeiros seis meses de habilitação, contados a partir da emissão da carteira.

Pedro Guerra justificou a proposta argumentando que os primeiros meses depois da obtenção da carteira são marcados por insegurança e pela dificuldade de lidar com a impaciência de motoristas mais experientes. "Com a utilização do adesivo, torna-se natural a tolerância no trânsito e segurança principalmente para com os jovens", escreveu.

A proposta chegou a ser enviada às comissões de Viação e Transportes e de Constituição e Justiça e de Cidadania, mas a tramitação não foi longe: o texto acabou arquivado.

Alerta sonoro

Em 2006, o então deputado Jair Bolsonaro apresentou o projeto de lei 7.048/2006 para proibir sinais sonoros usados para avisar pedestres sobre a entrada e saída de carros em estacionamentos, garagens, oficinas e postos de combustíveis.

Na justificativa, Bolsonaro argumentou que os alertas poderiam gerar incômodo constante para moradores e trabalhadores próximos a locais de alta rotatividade. O ex-presidente sustentou ainda que sinais luminosos poderiam cumprir a função de alertar pedestres sem provocar o mesmo nível de ruído.

O texto chegou às comissões de Viação e Transportes e de Constituição e Justiça e de Cidadania, mas não avançou. A proposta foi arquivada e não voltou ao debate legislativo.

No mesmo ano, o então deputado apresentou o projeto de lei 7.148/2006 para obrigar a reprodução da placa de identificação nos vidros dianteiro e traseiro dos veículos "sempre que possível". A proposta acabou apensada a outra que foi arquivada.

Sinais luminosos

Além dos barulhos, sinais luminosos também foram alvos de proposições. O projeto 2.729/2026, do deputado Amom Mandel (Republicanos-AM), pretende disciplinar o uso facultativo de sinalização luminosa de cortesia entre motoristas.

A proposta estava em análise na Comissão de Viação e Transportes e havia recebido relatoria em agosto. Em outras palavras, o projeto tenta levar para a legislação aquele conhecido gesto luminoso utilizado para agradecer quando outro motorista permite uma passagem, facilita uma mudança de faixa ou dá espaço no trânsito.

Já o projeto de lei 340/2026 procura autorizar expressamente uma prática que muitos motoristas já realizam. De autoria do deputado Bruno Ganem (Podemos-SP), a ideia é permitir, em situações específicas, o uso do pisca-alerta para avisar veículos que vêm atrás sobre um perigo ou uma obstrução na pista.

Atualmente, o uso do equipamento é restrito às hipóteses estabelecidas pelo Código. O projeto tenta criar uma previsão específica associada à prevenção de colisões, mas também fixa um limite: o pisca-alerta deve ser acionado por, no máximo, 10 segundos.

Anos antes, em 2010, Celso Russomanno (Republicanos-SP) propôs incluir entre os equipamentos obrigatórios dos veículos as lâmpadas de "seta" instaladas nos espelhos retrovisores laterais ou nas laterais do automóvel. O projeto de lei 7.485/2010 foi arquivado.

Infrações

Com o avanço das redes sociais, as propostas passaram a mirar também o comportamento digital dos motoristas. A deputada Christiane Yared, por exemplo, apresentou o projeto de lei 130/2020, voltado à divulgação de infrações perigosas na internet.

Na versão inicial, o projeto previa suspensão da habilitação por 12 meses para o motorista que praticasse uma infração gravíssima e publicasse a conduta nas redes sociais. O projeto chegou à sanção presidencial e se transformou na Lei 14.304/2022. Apesar do avanço, foi vetado praticamente na íntegra.

Outra proposta de infração foi apresentada na Câmara pela então deputada Aline Corrêa. O projeto de lei 3.251/2008 pretendia proibir motoristas de dirigir descalços. A medida foi arquivada.

Embora a maioria das propostas sobre o Código de Trânsito não tenha saído do papel, o tema continua presente do Congresso e passa, em 2026, por atualização com novas regras de habilitação e fiscalização de trânsito. A proposta aguarda análise em comissão especial na Câmara.

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