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STF

Bolsonaro pede a Nunes Marques suspensão da pena e contesta julgamento

Defesa contesta julgamento pela Primeira Turma e cita divergência entre ministros sobre acesso a provas para reforçar pedido.

Congresso em Foco

24/9/2026 11:04

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A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro pediu nesta quinta-feira (24) ao ministro Nunes Marques, do STF, a suspensão imediata da execução da pena de 27 anos e três meses de prisão.

Os advogados querem interromper o cumprimento da condenação até que a Corte julgue a revisão criminal apresentada pelo ex-presidente.

O pedido contesta a competência da Primeira Turma para julgar Bolsonaro. Segundo a defesa, o processo deveria ter sido analisado pelo plenário, porque envolve fatos atribuídos ao ex-presidente durante o mandato e relacionados ao exercício do cargo.

Na petição, os advogados também citam a recente divergência entre ministros do Supremo sobre acesso a provas para reforçar a alegação de que Bolsonaro não teve condições adequadas de se defender.

O requerimento foi apresentado na Revisão Criminal 6.021, relatada por Nunes Marques, e questiona a condenação na Ação Penal 2.668.

Bolsonaro, de 71 anos, cumpre a pena em prisão domiciliar humanitária.

Defesa de Bolsonaro sustenta que processo deveria ter sido julgado pelo plenário do Supremo.

Defesa de Bolsonaro sustenta que processo deveria ter sido julgado pelo plenário do Supremo.Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Julgamento pela Primeira Turma é questionado

Os advogados argumentam que o regimento interno do STF reserva ao plenário o julgamento do presidente da República por crimes comuns.

Na interpretação da defesa, essa regra deve valer também para um ex-presidente quando os fatos em análise estão ligados ao mandato.

A petição aponta uma suposta contradição: o vínculo das acusações com as funções presidenciais teria servido para manter o processo no Supremo, mas não para determinar seu julgamento pelo plenário.

O documento reproduz o entendimento adotado pela Primeira Turma ao rejeitar essa tese. Na ocasião, o colegiado considerou que a regra se aplica ao presidente em exercício e não alcança quem já deixou o cargo.

A defesa contesta essa distinção e sustenta que a questão específica ainda não foi decidida judicialmente pelo plenário. Para os advogados, o julgamento por um órgão que consideram incompetente comprometeria a validade da condenação.

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Relembre o julgamento histórico da condenação de Bolsonaro no STF

Defesa cita discussão sobre acesso a provas

A petição também utiliza como argumento a recente controvérsia no STF sobre o compartilhamento de elementos de uma investigação.

Os advogados mencionam um episódio em que um ministro questionou a atuação de um colega por restringir o acesso ao material disponível.

Segundo a defesa, a garantia de acesso integral às provas, assegurada naquele caso pelo presidente do Supremo, Edson Fachin, corresponde ao que os advogados de Bolsonaro pediram durante a ação penal relatada por Alexandre de Moraes.

"O que se pleiteou insistentemente ao e. Ministro Relator durante a marcha processual da AP 2.668 foi justamente o que agora Sua Excelência e outros Ministros da Corte exigiram."

Os defensores alegam que o material da investigação foi disponibilizado de maneira tardia, progressiva e desorganizada.

Segundo o documento, links com cerca de 40 terabytes de arquivos foram enviados em 14 e 15 de maio de 2025, poucos dias antes do início das audiências, em 19 de maio.

A defesa afirma ainda que algumas pastas exigiam senhas fornecidas somente durante as audiências e que novos arquivos continuaram a ser incluídos após os interrogatórios. Ao final, o acervo teria alcançado aproximadamente 70 terabytes.

O argumento é que o prejuízo decorreu da falta de tempo e de condições para analisar as provas e utilizá-las no processo.

Suspensão antes de manifestação da PGR

Os advogados reconhecem que a revisão criminal não suspende automaticamente o cumprimento da pena, mas defendem uma decisão excepcional diante do risco de perda de liberdade que não poderia ser reparada caso a condenação fosse invalidada.

A defesa argumenta que, se o pedido de revisão for rejeitado, a execução poderá ser retomada. Por outro lado, o tempo de prisão já cumprido não poderia ser devolvido ao ex-presidente.

O requerimento pede que Nunes Marques suspenda imediatamente a execução da pena, antes de ouvir a Procuradoria-Geral da República (PGR).

Em seguida, os advogados solicitam a manifestação do órgão e a continuidade da análise da revisão criminal.

Processos: RvC 6.021 e AP 2.668

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Nunes Marques revisão criminal Alexandre de Moraes Jair Bolsonaro STF

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