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SEGURANÇA PÚBLICA

CCJ do Senado retoma votação da PEC da Segurança na quarta

Com texto-base aprovado, CCJ analisará três destaques antes de enviar proposta ao plenário. PEC endurece regras contra facções, permite criar polícias municipais e amplia atuação da PRF.

Congresso em Foco

13/10/2026 | Atualizado às 9:48

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A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado retoma nesta quarta-feira (14), às 9h, a análise da PEC da Segurança Pública. Com o texto-base aprovado desde 2 de setembro, restam três destaques para concluir a votação na comissão e encaminhar a proposta ao Plenário. O governo Lula pretende aprová-la antes do segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro.

Os destaques tratam da inclusão dos agentes de trânsito entre os órgãos de segurança pública, das exigências para a criação de polícias municipais e do uso de recursos da segurança em operações das Forças Armadas. O relator, senador Rogério Carvalho (PT-SE), recomendou a rejeição das três emendas.

Relator da PEC, Rogério Carvalho deu parecer pela rejeição dos três destaques em pauta.

Relator da PEC, Rogério Carvalho deu parecer pela rejeição dos três destaques em pauta.Geraldo Magela/Agência Senado

A votação do texto-base ocorreu de forma simbólica, sem registro individual dos votos. A sessão foi interrompida com o início das votações no Plenário do Senado, deixando pendentes as alterações propostas.

Enviada pelo governo ao Congresso em abril de 2025 e aprovada pela Câmara em março deste ano, a PEC 18/2025 reorganiza o sistema de segurança pública e amplia a cooperação entre União, Estados e municípios. A versão dos deputados foi além da proposta original do Executivo, incorporando regras mais duras contra o crime organizado e mudanças no funcionamento das polícias e do sistema penitenciário.

O que será votado nesta quarta

Os três destaques poderão modificar pontos específicos da proposta:

  • Emenda 13: de Eduardo Gomes (PL-TO), inclui os agentes de trânsito entre os órgãos de segurança pública, com atribuições de patrulhamento viário.
  • Emenda 29: de Alessandro Vieira (MDB-SE), modifica exigências de avaliação e credenciamento das polícias municipais para reduzir a dependência de autorização estadual.
  • Emenda 45: de Carlos Portinho (PL-RJ), permite utilizar recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública em determinadas operações das Forças Armadas, incluindo combate a crimes transfronteiriços e ambientais e ações de Garantia da Lei e da Ordem.

A CCJ poderá manter o parecer de Rogério Carvalho ou aprovar alguma dessas alterações.

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O que a PEC muda

Um dos principais pontos é a previsão de tratamento mais rigoroso para integrantes e líderes de facções criminosas, milícias e organizações paramilitares. Uma futura lei poderá estabelecer prisão em unidades de segurança máxima, restrições à progressão de regime e a outros benefícios penais, além da perda de bens ligados às atividades criminosas.

A proposta também autoriza a criação de polícias municipais para atuar no policiamento ostensivo e comunitário. Essas corporações terão natureza civil e poderão ser formadas a partir das guardas municipais, desde que cumpram requisitos de estrutura, capacidade financeira, formação e avaliação periódica. A transformação não será automática.

Outra mudança é a ampliação das atribuições da Polícia Rodoviária Federal (PRF), que poderá atuar em ferrovias, hidrovias e na proteção de instalações federais, nas condições previstas no texto.

A PEC ainda inclui na Constituição o Sistema Único de Segurança Pública (Susp), hoje previsto em lei, para fortalecer operações conjuntas e o compartilhamento de informações entre as forças policiais.

Na área financeira, dá proteção constitucional ao Fundo Nacional de Segurança Pública e ao Fundo Penitenciário Nacional, com previsão de repasses aos Estados e ao Distrito Federal. Também destina à segurança pública o equivalente a 10% do superávit financeiro anual do Fundo Social, com implementação gradual entre 2027 e 2029.

Relator retira dispositivo sobre bets

Rogério Carvalho propôs a exclusão de um artigo aprovado pela Câmara que modificava a distribuição da arrecadação das apostas esportivas. O dispositivo destinava aos fundos de segurança e penitenciário 30% de uma base calculada após a dedução de prêmios, impostos e custos operacionais das empresas.

Na avaliação do relator, a fórmula favoreceria as operadoras e poderia reduzir recursos destinados à educação, à saúde, ao esporte e a outras áreas sociais. A retirada foi incorporada ao texto-base aprovado pela CCJ.

A discussão ganhou um novo contexto em 25 de setembro, quando Lula editou a Medida Provisória 1.394/2026, que proibiu as bets no Brasil e estabeleceu regras para o encerramento de suas atividades. Os sites e aplicativos autorizados deveriam ficar indisponíveis a partir de 6 de outubro, com devolução dos saldos dos apostadores. A proibição, posterior ao parecer do relator, também altera as perspectivas de arrecadação do setor.

Carvalho rejeitou ainda emendas que pretendiam incluir na PEC a redução da maioridade penal, condicionada a um referendo em 2028, e a possibilidade de execução da pena após condenação em segunda instância. Segundo ele, essas mudanças extrapolam o objetivo central da proposta.

Governo quer aprovação antes do segundo turno

A PEC enfrenta resistência de governadores que temem perda de autonomia sobre as polícias estaduais. O governo argumenta que a integração das forças de segurança é necessária para combater organizações criminosas que atuam em diferentes Estados.

O Planalto pretende levar a proposta ao Plenário do Senado na próxima semana, dentro de uma agenda que também inclui a votação do fim da escala de trabalho 6x1. Lula condiciona a criação de um Ministério da Segurança Pública à aprovação da PEC.

No Plenário, a proposta precisará de pelo menos 49 votos favoráveis em dois turnos. Se os senadores modificarem o conteúdo aprovado pela Câmara, os trechos alterados terão de retornar aos deputados antes da promulgação.

Leia a íntegra do texto-base aprovado

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Segurança Pública Rogério Carvalho PEC da Segurança CCJ Senado

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