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ELEIÇÕES

Com eleições encerradas, Deltan segue com processo emperrado no TSE

Mesmo com a apuração encerrada, o TSE ainda não recolocou em pauta o recurso que decide o destino dos votos do ex-procurador ao Senado.

Congresso em Foco

27/10/2026 20:42

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Com as eleições deste ano encerradas, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ainda não julgou o recurso que pode invalidar a eleição de Deltan Dallagnol (Novo) ao Senado. O processo estava previsto para julgamento em 8 de outubro, quatro dias após o primeiro turno, mas foi retirado de pauta e não voltou à análise do plenário.

Com a candidatura sub judice, o ex-procurador da Lava Jato conquistou a segunda vaga do Paraná com 2.904.594 votos, equivalentes a 25,14% dos válidos, e aguarda decisão definitiva sobre sua elegibilidade. Se o impasse persistir até o fim do ano, o senador eleito poderá, pela segunda vez, ser diplomado sem garantias de permanência no cargo.

Em 2023, TSE determinou aplicação da Lei da Ficha Limpa em

Em 2023, TSE determinou aplicação da Lei da Ficha Limpa emVinicius Loures/Câmara dos Deputados

Julgamento adiado

O caso de Dallagnol estava na pauta da mesma sessão em que o TSE examinou a situação eleitoral de Anthony Garotinho (Republicanos), candidato ao governo do Rio de Janeiro. O adiamento atendeu a pedido da defesa do ex-procurador. Desde então, o tribunal prosseguiu com a análise de processos eleitorais, sem remarcar o recurso.

O processo, relatado pelo ministro Floriano de Azevedo Marques, contesta a decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) que autorizou a candidatura em setembro. Os autores pedem o indeferimento do registro e a anulação dos votos recebidos pela chapa. A corte deverá decidir sobre a aplicação da Lei da Ficha Limpa ao ex-procurador, que perdeu seu mandato de deputado em 2023 por determinação do próprio TSE.

Na véspera da eleição, Floriano determinou que a candidatura continuasse suspensa. No dia do pleito, o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, derrubou a decisão. O magistrado entendeu que a questão deveria ser discutida em plenário, e não por decisão individual. Com isso, os votos recebidos pelo ex-procurador foram provisoriamente mantidos, e ele poderá ser diplomado e tomar posse, salvo julgamento contrário do tribunal.

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Disputa pela elegibilidade

O impasse sobre a candidatura de Dallagnol remonta às eleições de 2022, quando ele foi eleito deputado pelo Podemos. Em maio de 2023, o TSE cassou seu registro por unanimidade, após concluir que sua saída do Ministério Público Federal, em novembro de 2021, teve o propósito de evitar possíveis sanções disciplinares e o enquadramento na Lei da Ficha Limpa.

Naquele julgamento, o relator, ministro Benedito Gonçalves, examinou as circunstâncias da exoneração do ex-procurador. Dallagnol havia recebido penas de advertência e censura do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e respondia a outros 15 procedimentos administrativos. "Ele se utilizou de subterfúgios para se esquivar de PADs ou outros casos envolvendo suposta improbidade administrativa e lesão aos cofres públicos", sustentou Gonçalves em seu voto.

A Lei da Ficha Limpa estabelece inelegibilidade de oito anos para membros do Ministério Público que peçam exoneração durante a tramitação de processo administrativo disciplinar. O TSE considerou que a saída antecipada de Dallagnol configurou tentativa de contornar essa restrição, mesmo diante da natureza preliminar de parte dos procedimentos existentes contra ele.

Em setembro de 2026, o TRE-PR voltou a examinar a situação do ex-procurador e decidiu, por quatro votos a três, autorizar sua candidatura ao Senado. A maioria considerou que o encerramento dos procedimentos disciplinares e as circunstâncias examinadas pela corte regional permitiam reconhecer sua elegibilidade.

A federação PT-PCdoB-PV e o PDT recorreram ao TSE para tentar restabelecer o impedimento reconhecido em 2023. A defesa de Dallagnol sustenta que a decisão anterior dizia respeito às eleições de 2022 e que o arquivamento dos procedimentos administrativos altera as condições jurídicas examinadas naquela ocasião.

O Ministério Público Eleitoral manifestou-se favoravelmente ao registro da candidatura neste ano. O relator Floriano de Azevedo Marques, por sua vez, considerou que os acontecimentos posteriores à cassação de 2023 não afastaram a inelegibilidade reconhecida pelo TSE. A palavra final caberá ao colegiado do tribunal, que ainda não marcou data para o julgamento.

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Lei da Ficha Limpa Deltan Dallagnol eleições 2026 TSE

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