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ECONOMIA
Congresso em Foco
28/10/2026 | Atualizado às 10:49
O consumo de alimentos nos supermercados brasileiros cresceu após a proibição das bets pelo governo Lula, segundo levantamento divulgado nesta quarta-feira (28) pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras). As vendas aumentaram 6,5% na semana de 5 a 11 de outubro e 6,3% na seguinte, em comparação com os mesmos períodos de 2025. A entidade associa o avanço à redução das apostas on-line, mas a relação de causa e efeito ainda não foi comprovada.
Os dados foram apresentados pelo presidente da Abras, João Galassi, durante a feira Supervendas, em Aracaju (SE). Segundo a entidade, houve aumento no volume de compras em supermercados, atacarejos e mercados de bairro, especialmente de produtos essenciais, como arroz, óleo, macarrão e café. "Em todos os modelos que nós temos de negócio, ou seja, atacarejo, supermercado, loja de vizinhança, todos os canais, você teve aumento de consumo", afirmou Galassi.
O crescimento ocorreu após a publicação da MP 1.394/2026, em 25 de setembro, que proibiu apostas esportivas e jogos on-line de quota fixa. As plataformas deveriam sair do ar em 6 de outubro. A medida está em vigor, mas precisa ser aprovada pelo Congresso para manter seus efeitos.
Crescimento em todas as regiões
O aumento das compras de alimentos foi registrado em todas as regiões pesquisadas pela Abras, embora em intensidades diferentes. Na semana de 5 a 11 de outubro, as maiores altas ocorreram no Sul e no conjunto formado por Minas Gerais, Espírito Santo e interior do Rio de Janeiro, ambos com 10,6%. O Nordeste avançou 6,5%, enquanto os demais mercados registraram crescimentos entre 1,2% e 5,6%.
Na semana seguinte, de 12 a 18 de outubro, o Sul continuou na liderança, com alta de 9%, seguido por Minas Gerais, Espírito Santo e interior fluminense (7,1%). O Grande Rio cresceu 6%, enquanto os demais mercados tiveram avanços entre 3,5% e 5,6%.
Queda nas transações por Pix
Galassi também relacionou o desempenho dos supermercados a dados atribuídos ao Banco Central. Segundo a Abras, as transações por Pix caíram cerca de 10% imediatamente após a proibição das bets, redução que depois passou para aproximadamente 7%. Para a entidade, parte do dinheiro antes destinado às apostas pode ter sido redirecionada às compras de alimentos.
Os dados, porém, não demonstram essa transferência de recursos. A queda nas transações por Pix, isoladamente, não comprova que as famílias passaram a gastar menos com apostas e mais nos supermercados. Renda, preços e benefícios sociais também influenciam o consumo.
A MP das bets ainda precisa ser analisada por deputados e senadores. A proposta enfrenta resistência de parlamentares e setores econômicos afetados, incluindo clubes de futebol patrocinados por empresas de apostas.
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