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JUDICIÁRIO
Congresso em Foco
29/10/2026 18:37
O juiz Giordano Resende Costa, da 4ª Vara Cível de Brasília, negou o pedido do advogado Willer Tomaz e de sua empresa, WT Administração de Imóveis e Bens, para obrigar o jogador Richarlison a retirar publicações sobre a disputa pela posse da mansão na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ). A decisão também rejeitou a tentativa de impedir o atleta de fazer novas manifestações sobre o imóvel nas redes sociais.
Tomaz acionou a Justiça em julho, após Richarlison comentar e compartilhar publicações de terceiros sobre a disputa. Em postagem feita por uma advogada no Instagram, o jogador escreveu: "Realmente gastei em torno de 10 milhões lá. E simplesmente me tomaram. E estou até hoje sem receber a minha grana!!!". O advogado também questionou comentários feitos pelo atleta em outras publicações.
Na ação, Tomaz e sua empresa solicitaram a proibição de novos conteúdos com acusações de que a propriedade teria sido tomada de Richarlison, sob pena de multa de R$ 50 mil por publicação e outros R$ 50 mil por dia de permanência. Os autores também pediram indenização de R$ 200 mil por danos morais e esclarecimento público nas redes sociais do jogador.
O magistrado rejeitou o pedido de urgência em agosto. Segundo a decisão, parte dos conteúdos questionados havia sido publicada nos stories do Instagram, que desaparecem automaticamente após 24 horas. Outra postagem havia sido removida pela responsável pelo perfil em que o jogador fez o comentário. Dessa forma, o juiz considerou que os autores não demonstraram a existência de publicações ainda disponíveis que justificassem a ordem de retirada.
Giordano também examinou o pedido para impedir futuras manifestações de Richarlison sobre a disputa. A solicitação abrangia publicações, compartilhamentos e comentários em diferentes plataformas. Para o magistrado, a proibição "aproxima-se perigosamente da restrição prévia à manifestação do pensamento", protegida pela Constituição.
O juiz ressaltou que eventuais abusos cometidos nas redes sociais podem ser examinados posteriormente pela Justiça, com responsabilização dos envolvidos e retirada de conteúdos considerados ilegais. A negativa ocorreu na análise inicial do processo e não encerrou a ação de indenização.
O andamento judicial registra que o prazo concedido a Willer Tomaz e à WT Administração para manifestação terminou em setembro. Posteriormente, os autores apresentaram novos documentos e acrescentaram às alegações outra publicação atribuída a Richarlison, feita no dia 24 daquele mês. Giordano aceitou a inclusão do episódio na ação, sem reavaliar o pedido de retirada das postagens.
O magistrado também determinou o envio de carta precatória à Justiça do Rio de Janeiro para realizar a citação de Richarlison, etapa necessária para que o jogador seja formalmente comunicado do processo e possa apresentar sua defesa. A ação permanece em tramitação.
Disputa pela ilha
Richarlison sustenta ter investido cerca de R$ 10 milhões na aquisição de direitos sobre a mansão na Ilha Comprida, em parceria com Alencar da Silveira Júnior, ex-presidente do América-MG, e Renato Velasco, seu antigo empresário. O jogador acusa Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de terem participado de manobras para obter a posse do imóvel. Em vídeo divulgado neste mês, declarou: "Como eu não quis vender, os caras pegaram na mão grande lá na justiça".
Tomaz contesta as acusações e sustenta que sua empresa adquiriu regularmente os direitos de ocupação da propriedade. A disputa judicial teve início em 2022, envolvendo a WT Administração e a Sport 70, ligada ao antigo empresário de Richarlison. O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro decidiu favoravelmente à empresa de Tomaz, entendimento mantido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em 2025. Posteriormente, a Sport 70 desistiu de prosseguir com a contestação judicial, encerrando o processo.
Flávio Bolsonaro, amigo de Willer Tomaz, foi incluído como testemunha na ação pela empresa ligada ao jogador. O senador nega ter participado da compra, venda ou intermediação da propriedade e sustenta que seu nome foi incluído na disputa após visitar o imóvel. Richarlison, por sua vez, insiste na cobrança pela devolução do dinheiro investido e pediu à Polícia Federal que investigue as circunstâncias em que a empresa de Tomaz obteve os direitos de ocupação da mansão.
Processo: TJDFT 0743627-33.2026.8.07.0001
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