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Caso Banco Master
Congresso em Foco
30/10/2026 | Atualizado às 10:51
O fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou que está com a vida "devassada" e a família "dilacerada" durante depoimento prestado à Polícia Federal em 15 de outubro. Ao contestar as suspeitas de fraude nas operações entre o Master e o Banco de Brasília (BRB), o banqueiro reclamou das consequências da investigação e pediu o arquivamento do inquérito.
"Eu estou um ano preso, com a minha vida devassada, com a minha família dilacerada, por um negócio que não aconteceu", declarou.
A declaração ocorreu durante uma discussão com os investigadores sobre a existência de prejuízo nas operações envolvendo carteiras de crédito negociadas entre as duas instituições.
Vorcaro pediu o que chamou de "mínimo de consideração" por sua situação e afirmou estar privado de liberdade havia quase um ano. Ao ser questionado por um dos policiais sobre o período de prisão, argumentou que também deveria ser considerado o tempo em que permaneceu em prisão domiciliar.
"Não fui solto, não. Fiquei preso na minha casa", respondeu.
Na sequência, o banqueiro negou ter participado de qualquer fraude contra o BRB ou contra clientes do Banco Master. Ele afirmou que só poderia responder por suas próprias ações, e não por eventuais irregularidades cometidas por outras pessoas.
"Eu não respondo por outras pessoas. Por mim, eu digo que eu não fiz nenhuma fraude com o BRB. Por mim, eu não fiz nenhuma fraude com nenhum cliente", declarou.
Pedido de arquivamento
Vorcaro voltou a defender que as operações questionadas pela Polícia Federal não foram concluídas nos termos inicialmente previstos. Segundo ele, as carteiras de crédito foram substituídas por outros ativos, que teriam sido entregues ao BRB por valores inferiores aos de mercado.
O banqueiro sustentou que uma perícia poderia comprovar que esses ativos valem mais do que os valores originalmente negociados, afastando, em sua avaliação, a existência de prejuízo.
"É só chamar uma perícia, uma discussão cível", afirmou.
Embora tenha reconhecido a necessidade de discutir eventuais problemas nas transações, Vorcaro insistiu que o caso não deveria continuar sendo tratado como fraude criminal.
"Mas esse inquérito de fraude do BRB precisa ser arquivado. Não tem nada no processo. Não existe. O negócio não aconteceu", declarou.
Investigação da Polícia Federal
O depoimento foi tornado público e encaminhado ao STF nesta quinta-feira (29). A oitiva ocorreu antes de Vorcaro e outras 13 pessoas serem indiciados pela Polícia Federal por suspeitas de fraudes envolvendo o Banco Master e o BRB.
A investigação aponta a negociação de carteiras de crédito sem comprovação de existência. A PF atribui ao banqueiro supostos crimes de gestão fraudulenta de instituição financeira, induzimento a erro, fraude em fiscalização e lavagem de dinheiro.
Durante o interrogatório, os investigadores contestaram a versão de Vorcaro e argumentaram que a substituição posterior dos ativos não elimina a necessidade de apurar possíveis irregularidades nas operações originais.
Vorcaro nega as acusações e sustenta que não houve fraude nem prejuízo ao BRB.
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