Notícias

Moraes suspende processo contra Gustavo Gayer após decisão da Câmara

Ministro do Supremo acolheu suspensão da ação penal aprovada pela Câmara. Investigação só será retomada quando deputado ficar sem mandato.

31/10/2025
Publicidade
Expandir publicidade

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira (30) a suspensão da ação penal que tramitava na Corte contra o deputado Gustavo Gayer (PL-GO). A decisão cumpre a resolução da Câmara dos Deputados, que aprovou, por 268 votos a 167, a suspensão do processo.

O parlamentar respondia por calúnia, difamação e injúria, em uma queixa-crime movida pelo senador licenciado Vanderlan Cardoso (PSD-GO). As acusações se baseavam em vídeos publicados nas redes sociais em 2023, nos quais Gayer ofendeu senadores e ministros e acusou parlamentares de vender votos na eleição para a Mesa Diretora do Senado.

"Determino a aplicação imediata da Resolução nº 30, de 2025, da Câmara dos Deputados, e declaro a suspensão desta ação penal em relação ao deputado federal Gustavo Gayer", escreveu Moraes na decisão.

Gustavo Gayer recebe cumprimentos efusivos do líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, após a CCJ aprovar a suspensão do processo contra ele. Decisão foi confirmada posteriormente pelo Plenário.Lula Marques/Agência Brasil

A Constituição Federal assegura ao Congresso o poder de decidir, em até 45 dias, se um parlamentar poderá continuar respondendo a processo criminal no exercício do mandato. No caso de Gayer, a maioria da Câmara optou pela suspensão, o que paralisa a ação até o fim de seu mandato.

Ofensas e blindagem parlamentar

Nos vídeos que motivaram a denúncia, Gayer dirigiu ataques aos senadores Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e Davi Alcolumbre (União-AP), além de acusar Vanderlan Cardoso e Jorge Kajuru (PSB-GO) de negociarem apoio político em troca de cargos em comissões. O caso foi distribuído ao ministro Alexandre de Moraes, que aceitou a queixa-crime e abriu a ação penal.

Na Câmara, a suspensão foi defendida pela liderança do PL e relatada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) pelo deputado Zé Haroldo Cathedral (PSD-RR), que considerou as declarações de Gayer parte do "exercício da crítica política".

"As declarações, ainda que enérgicas e eventualmente controvertidas, foram proferidas no exercício do mandato parlamentar", alegou o relator.

A oposição, porém, reagiu. O líder do PT, Lindbergh Farias (PT-RJ), afirmou que a decisão cria uma "blindagem inaceitável" e esvazia o papel do Conselho de Ética. "O senador Vanderlan acreditou na Justiça. De que adianta, se os senhores fazem ressuscitar hoje a lógica da blindagem?", questionou.

Moraes nega visita de Gayer a Bolsonaro

Ainda na quinta-feira, Alexandre de Moraes negou pela segunda vez o pedido de Gayer para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília. O ministro lembrou que o parlamentar é investigado em um caso conexo e, por isso, está proibido de se comunicar com Bolsonaro ou outros investigados. "Indefiro a autorização de visita para Gustavo Gayer, uma vez que é investigado na PET 12.042/DF", registrou Moraes.

Por outro lado, o ministro autorizou visitas ao ex-presidente pelos deputados Altineu Côrtes (PL-RJ) e Alberto Fraga (PL-DF), além do ex-piloto Nelson Piquet e do jornalista Alexandre Pittoli, entre 3 e 6 de novembro.

O que acontece agora

Com a decisão, a ação penal contra Gayer fica suspensa até o fim de seu mandato, salvo se houver nova deliberação da Câmara. O caso reacende o debate sobre os limites da imunidade parlamentar, frequentemente invocada em processos por discurso de ódio e desinformação.

Para aliados, a decisão representa respeito à autonomia do Legislativo. Já críticos veem o caso como sinal de impunidade, num momento em que o Congresso e o Supremo travam tensões institucionais sobre liberdade de expressão e responsabilização política.

Veja mais no portal
cadastre-se, comente, saiba mais

Notícias Mais Lidas

Artigos Mais Lidos