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Governo diz que cem brasileiros saíram da Venezuela após ação dos EUA

Itamaraty seguirá monitorando situação na Venezuela e afirmou que não há brasileiros feridos após a ofensiva norte-americana.

4/1/2026
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O governo brasileiro informou neste sábado (3) que 100 cidadãos brasileiros que estavam em viagem turística na Venezuela conseguiram atravessar a fronteira para o Brasil, pelo estado de Roraima, após os ataques realizados pelos Estados Unidos contra o país vizinho.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, a situação dos brasileiros que permanecem em território venezuelano segue sendo monitorada. A ministra interina da pasta, Maria Laura da Rocha, afirmou que a representação diplomática em Caracas acompanha os desdobramentos do conflito e mantém atenção especial à comunidade brasileira.

"Nossa embaixada em Caracas segue acompanhando com atenção não apenas o desenrolado dos acontecimentos, mas também a situação da comunidade brasileira naquele país. Não havendo qualquer relato de vítimas ou feridas na comunidade brasileira."

Itamaraty realizou reuniões emergenciais para tratar da crise.Valter Campanato/Agência Brasil

Maria Laura substitui o chanceler Mauro Vieira, que interrompeu um período de férias e retornou a Brasília ainda neste sábado para acompanhar a crise envolvendo a Venezuela. A ministra interina falou com jornalistas na sede do Itamaraty após a segunda reunião emergencial do dia sobre a ofensiva norte-americana.

O encontro foi coordenado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e reuniu ministros das áreas de Justiça, Defesa, Comunicação e Casa Civil, além de integrantes da Secretaria de Relações Institucionais e da embaixadora do Brasil em Caracas.

Após a reunião, o ministro da Defesa, José Múcio, afirmou que a situação na fronteira permanece estável e que não há restrições ao deslocamento. Ele orientou brasileiros que desejem deixar a Venezuela a buscar apoio das representações diplomáticas.

"Da maneira que está tudo calmo, as fronteiras estão abertas, não há nenhuma restrição. O brasileiro que estiver lá pode vir, procure o seu embaixador, o embaixador ajudou, a vice-cônsul brasileira lá também tem ajudado bastante, de maneira que nós estamos só de plantão para ver se surgem novos acontecimentos."

Reconhecimento institucional

Questionada sobre quem o Brasil considera como autoridade máxima na Venezuela diante da retirada de Nicolás Maduro, Maria Laura afirmou que o governo brasileiro reconhece a vice-presidente Delcy Rodríguez como chefe interina do Executivo venezuelano.

A ministra interina também informou que o Brasil participará da reunião ministerial da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), marcada para este domingo (4), e da sessão do Conselho de Segurança da ONU, prevista para segunda-feira (5). Em ambas, a ofensiva dos EUA contra a Venezuela estará na pauta.

"O Brasil continua sendo a favor do direito internacional, que é a posição tradicional brasileira contra qualquer tipo de invasão territorial, é pela soberania dos países."

Mais cedo, o presidente Lula divulgou nota na qual condenou a ação militar, classificando-a como violação do direito internacional.

A ofensiva dos Estados Unidos contra a Venezuela representa um novo capítulo de intervenções diretas de Washington na América Latina. O último episódio desse tipo ocorreu em 1989, no Panamá, quando tropas norte-americanas capturaram o então presidente Manuel Noriega sob acusação de envolvimento com o narcotráfico.

No caso venezuelano, o governo dos EUA acusa Nicolás Maduro de liderar o suposto Cartel de los Soles, alegação contestada por especialistas em tráfico internacional de drogas, que questionam a existência da organização. Washington também oferecia uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à prisão do presidente venezuelano.

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