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Igualdade versus desigualdade: a verdade por detrás da fachada

Discursos que hierarquizam pessoas seguem ativos porque sustentam privilégios e mantêm o controle sobre riqueza e influência.

Ricardo de João Braga

Ricardo de João Braga

4/5/2026 13:00

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As sociedades complexas, desde a Mesopotâmia antiga, formaram-se extremamente desiguais. Razões de poder e acesso à riqueza dividiram os grupos sociais de acordo com gênero, crença, status de conhecimento e acesso ao divino, etnia e outros. Homens diferentes de mulheres, crentes da religião oficial diferentes de pagãos, educados e sacerdotes diferentes do povo, e os da raça dos governantes diferentes dos demais. Essa diferença, por óbvio, produzia, se baseava e necessitava de uma hierarquia violenta e opressiva, pois tratava-se de homens melhores que mulheres, crentes superiores a pagãos, sábios e sacerdotes servidos pelo povo, etnia dos governantes transformada em casta venerada pelos excluídos. As diferenças sempre produziram distribuições de poder e riqueza assimétricas, criaram o mundo de privilegiados e vulneráveis.

Hoje, deploravelmente, estão em curso ideologias que sustentam e promovem tais diferenças a fim de manter distribuições de poder e riqueza assimétricas, violentas e excludentes. Veiculadas em redes sociais, e infelizmente reforçadas por vários segmentos sociais e religiosos, abundam na "machosfera", no fundamentalismo religioso, nos movimentos xenófobos e racistas os discursos que propagam a diferença como instrumento de seu próprio poder e exclusão dos demais. Na melhor das hipóteses o "superior" olha o outro como alguém que erra e precisa ser corrigido, que deve manter-se submisso, na pior, o outro deve ser destruído. É isso que vemos nas campanhas que buscam "educar" as mulheres para a submissão ao homem, ao marido, na misoginia como negócio na internet, nos movimentos de deportação de imigrantes, na ilógica e cruel ideia de reimigração (a expulsão de imigrantes para os países de origem, inclusive aqueles com cidadania adquirida).

Um primeiro e fundamental impulso à igualdade ocorreu com o cristianismo. Surgido em um mundo de opressão política dos romanos sobre os povos dominados, um mundo de submissão da mulher ao homem, do povo aos sacerdotes, Cristo pregou que todos eram iguais, irmãos aos olhos de Deus. Toda alma valia o mesmo, o que nos igualava. Não por acaso Jesus cercou-se dos excluídos de sua sociedade – os evangelhos são abundantes em comprová-lo. Figuras sociais reprovadas por hábitos, como cobradores de impostos e prostitutas, por valores sociais, como as crianças, por motivos religiosos/fisiológicos, como os leprosos – vistos como pecadores natos –, e principalmente mulheres cercavam o Redentor. Maria Madalena, a Apóstola dos Apóstolos, amada e respeitada pelo Cristo, é o símbolo maior das hierarquias que Jesus destruía em sua construção do reino de Deus, um reino de iguais.

O liberalismo do século XVII, com sua construção política dos direitos civis, sedimentou uma base sobre a qual cada indivíduo valia por si. O monarca sem limites ficava para trás. Sociedades de riqueza e poder altamente concentrados deviam, no mínimo, encarar o indivíduo como alguém com direitos sobre seu corpo, seu ir e vir, suas ideias e crenças. A hierarquia social e política da idade Média europeia, quando a posição de nascimento era tudo, ruía.

Iniciado pouco antes, e então em evolução, o protestantismo também questionava as hierarquias dos porta-vozes de Deus. Tornava-se direito, este divino, que cada ser humano pudesse acessar diretamente seu Deus, pela compreensão direta de Sua palavra (a Bíblia traduzida ao vernáculo) assim como pela oração sem intermediário.

O crescimento de mulheres, negros e periféricos no poder intensifica a disputa e expõe quem depende da exclusão para se manter no topo.

O crescimento de mulheres, negros e periféricos no poder intensifica a disputa e expõe quem depende da exclusão para se manter no topo.Freepik

Tocqueville, no século XIX, afirma que a democracia, o reino da igualdade política, marchava inexoravelmente para conquistar o mundo. Caiam os resquícios do antigo regime, os status sociais inalcançáveis pelo vulgo. Valia nesse novo mundo o espírito da massa – com seus perigos, é claro –, sua concordância, seu apreço, seu valor. Governar exigia atender, de alguma forma, o povo. Destacar-se na sociedade, o apreço da multidão. Todos poderiam ser o que quisessem. Há um fio condutor claro e direto entre esse germe democrático e as figuras que hoje se elevam e se destacam nas redes sociais, que passam de anônimos sem chancelas institucionais a autoridades de tudo e qualquer coisa ungidos pela massa. Para o bem e para o mal, é o avanço da igualdade, o nivelamento das pessoas e a destruição dos status preconcebidos.

Nossa sociedade hoje assiste ao empoderamento das mulheres, dos jovens, dos negros, dos LGBTQIA+, dos periféricos do mundo. Gigantescas movimentações de status, de acesso ao poder, de chancela social derivam desse movimento. E é óbvio que há reação, pois desde a fundação de nossas sociedades importa a distribuição do poder e da riqueza. Há conflito, há disputa.

Os funestos movimentos que então hoje pregam racismo, misoginia, transfobia, xenofobia servem a esse embate. Dentro deles há os incautos e os líderes conscientes e interessados. Aos incautos fala-se de um Deus que exige hierarquia – a mesma, contraditoriamente, que o Jesus histórico e o Cristo Redentor vieram derrubar –, de homens que perdem sua verve – baseada em ridículos argumentos biológicos–, de raças superiores que precisam de pureza – esquecidos que todos os povos passaram por miscigenações em seus processos evolutivos –, e outras crendices enraizadas em preconceitos atávicos.

Contudo o que precisa ser destacado com força, com luz, torná-las ostensivas, são as lideranças conscientes e seus interesses. Há uma disputa de poder e de acesso à riqueza, e os deslocados atuam para manter-se no comando. Não querem ceder espaços a mulheres, negros e periféricos. Daí utilizam a ideologia da desigualdade como arma de guerra, como forma de ativar seguidores. Esses líderes precisam manter em pé a velha história da dominação, submissão e exclusão e angariam votos, dinheiro e seguidores.

O mundo da desigualdade é aquele onde o outro tem menos valor, onde ele pode ser e é inferiorizado. A desigualdade é um instrumento, um bastão com o qual uma elite privilegiada machuca a muitos e seduz seguidores com promessas de pertencimento. Seu mundo é feio e cruel, atrasado e mentiroso. Ademais, o incauto hoje aponta suas armas, mas amanhã pode tornar-se alvo.

A igualdade, ao contrário, é a evolução civilizatória, o movimento profundo que vem emergindo – com dificuldades – há milênios. A igualdade se compromete com a proteção da dignidade universal, do valor de todo ser humano, é a essência de uma rede de proteção a injustiças e opressões. Enquanto a desigualdade é arma opressora, a igualdade protege a todos.


O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].

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