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Até quando o jornalismo permanecerá passivo diante da avalanche das redes sociais?

A migração em massa para redes sociais enfraquece a informação profissional e amplia a desconfiança sobre fatos e instituições.

Paulo José Cunha

Paulo José Cunha

7/5/2026 10:51

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O jornalismo profissional enfrenta, neste momento, seu maior desafio desde a segunda metade do século XIX, quando deixou de ser apenas político/opinativo para se transformar numa atividade comercial estruturada, focada na notícia e compromissada com a objetividade. A chegada da internet e suas redes sociais provocou uma verdadeira hecatombe nas tiragens e audiências. Pesquisas bem recentes apontam que 60% dos brasileiros se utilizam exclusivamente de aplicativos como o Whatsapp para se "informar". As aspas são propositais.

Alguns dados: nos anos 1970 e 80, o Jornal Nacional da TV Globo liderava a audiência com 80% dos televisores ligados no horário. Hoje mal chega aos 27%. Seria até banal se a queda se devesse à simples transferência de audiência do telejornal da Globo para telejornais de outras emissoras. Mas o buraco é bem mais embaixo. Essa audiência não migrou para emissora alguma: simplesmente perdeu o hábito de buscar informação em telejornais e ponto final. E olha que isso ocorre até mesmo dentro das faculdades de Comunicação pelo país.

Quando pergunto à minha turma quem assiste a pelo menos um telejornal por semana, o número de telespectadores que se apresentam é uma minoria. A deblaque atingiu também os grandes e pequenos jornais. Em 2022 a queda na circulação caiu 16%. E o número de jornais em circulação no país desabou de 800 a 1000 títulos no início dos anos 2000 para uma faixa de 300 a 400 no ano passado. Ou seja: os jornais já não têm como se manter e simplesmente fecham as portas.

É no jornalismo profissional que reside a busca da informação mais confiável. Observe-se que escrevi "a busca", não que todas as informações do jornalismo profissional sejam as mais precisas. Jornalistas erram, sim, mas erram buscando a verdade. Enquanto as informações difundidas pelas redes sociais não obedecem a critério algum de checagem. Tanto faz que sejam produzidas por um jornalista profissional como pelo maluquete ali da esquina, destituído de qualquer formação ou responsabilidade ética na produção e difusão de informação. A realidade nua e crua é que o jornalismo profissional perdeu o posto de porto seguro na busca de informação confiável.

Pesquisas recentes dão conta de que 48% dos usuários de internet no Brasil já não confiam - e até desconfiam – do noticiário produzido pelos veículos jornalísticos. São dados terrivelmente preocupantes porque significam que, hoje, a maioria dos consumidores de informação, simplesmente abandonou os chamados veículos confiáveis e "se informa" pelas redes sociais. Como se elas merecessem qualquer grau de credibilidade. E olha que hoje 60% dos consumidores de notícias buscam se informar por essas plataformas.

A conclusão aterradora diante desses fatos e números é que a maioria da população simplesmente abdicou de se informar por meio dos veículos tradicionais. E acredita que o que recebem pelas redes sociais é o suficiente. Junte-se a isso outro fator que torna o panorama ainda mais assustador: os que elegeram as plataformas digitais como fonte de informação – Whatsapp, Instagram, Telegram, Facebook etc – consideram-se "bem" informados. E a maioria não se incomoda com outro aspecto: simplesmente não questionam a origem da informação e sua veracidade. Absorvem o que recebem sem qualquer questionamento. Isto sem falar dos que simplesmente não consomem informação alguma, simplesmente abdicaram da tarefa de se informar, deixando que sua opinião seja formada pelo político da região ou pelo pastor de sua igreja.

O avanço das redes sociais obrigou o jornalismo profissional a enfrentar sua maior crise de confiança em décadas.

O avanço das redes sociais obrigou o jornalismo profissional a enfrentar sua maior crise de confiança em décadas.Magnific

Passa da hora de órgãos de representação da atividade jornalística como FENAJ, sindicatos e observatórios da imprensa, assim como as faculdades de jornalismo espalhadas pelo país, se articularem na busca de um diagnóstico confiável da situação e busquem mecanismos de contenção e reversão da realidade atual. Deixar apenas na conta do "é assim porque ficou assim" é muito cômodo, mas não leva a nada. Claro que deve existir algo a fazer para, se não reverter o quadro atual, pelo menos conter a evasão e buscar pelos meios possíveis a reconquista da audiência e a elevação das tiragens. Quando falo em tiragem já nem me refiro aos veículos de papel, mas apenas ao número de assinaturas digitais, pois o papel vem paulatinamente sendo extinto.

Pode até parecer miragem ou excesso de otimismo, mas a verdade é que existem, sim, formas de enfrentamento do desafio.

Um deles é a aproximação radical dos veículos eletroeletrônicos à audiência, fugindo das imposições de formato do eixo Rio-São Paulo e se utilizando da cultura local de forma integral, como está ocorrendo, neste momento, com o telejornalismo baiano, que assumiu a "baianidade" em todos os seus aspectos, das expressões regionais ao sotaque, e com muito sucesso.

No que diz respeito ao jornalismo "impresso", uma alternativa na busca da retomada da credibilidade diante dos consumidores seria a explicitação, em cada notícia ou reportagem, das fontes consultadas, tipo: "As informações acima foram confirmadas pelo Sindicato tal, pelo professor fulano, pelo especialista sicrano, pelo empresário beltrano" e assim por diante. Com as exceções de praxe, quando se trata de informação em off, ou seja, quando a fonte não quer ser identificada. Tudo isso, é claro, acompanhado de campanhas de conscientização sobre o consumo de informação confiável, que tanto podem ser encabeçadas pelas organizações de classe como FENAJ e os sindicatos de jornalistas quanto pelos próprios veículos. Inclusive com o engajamento de órgãos de estado como "A Voz do Brasil" e outros. Sempre no sentido de conscientizar a população sobre a importância do consumo de informação profissional e confiável. Escolas e universidades públicas e privadas poderiam se engajar nesse esforço como parte de seu conteúdo programático, voltado à educação para a democracia.

Então tá: parece sonho. E é. Mas se não houver a ousadia de sonhar, vamos apenas deixar a vaca ir calmamente ao brejo. Democracia sem informação confiável é apenas um delírio.


O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].

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