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Adriana Vasconcelos
O protagonismo feminino na corrida pelo Senado em SP, RJ e DF
Adriana Vasconcelos
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Denunciar é o primeiro passo para sair do ciclo de violência doméstica
Adriana Vasconcelos
Adriana Vasconcelos
Nossa mais recente conquista: a primeira mulher general do Brasil
Mulheres e trabalho
11/5/2026 13:00
Ironicamente, coube ao chamado "sexo frágil" o maior poder da humanidade: gerar uma vida. Uma força monumental que acaba sendo testada a cada momento dali em diante. Já que o amor incondicional que se materializa em um frágil bebê que carregamos nos braços, fazendo nosso coração quase parar de tanto amor, não chega sozinho. Vem acompanhado por barreiras ora visíveis, ora disfarçadas, sobretudo em nossa trajetória profissional.
Quantas mulheres deixaram de ser promovidas ou contratadas por estarem grávidas? Eu mesma fui uma delas. Minha promoção, prometida pela chefia, só pôde ser concretizada após o meu retorno da licença-maternidade. No cenário brasileiro, isso não é apenas uma conquista; é um evento raro, quase um "ponto fora da curva" em comparação com colegas que são surpreendidas com a demissão logo após o retorno ao trabalho.
A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) nos oferece um escudo importante: 120 dias de licença e um período de estabilidade que vai até cinco meses após o parto. Mas a realidade das empresas mostra que a proteção é passageira. Na prática, muitas vezes isso não é suficiente para garantir a manutenção do emprego das mães.
O sistema e-Social não mente: nos últimos cinco anos, mais de 380 mil brasileiras descobriram que o fim da estabilidade legal era, na verdade, o início do fim de suas carreiras naquela empresa. Os dados, levantados pela Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), abrangem demissões realizadas em até dois anos após o término da licença.
Mesmo aquelas que continuam empregadas também sentem a pressão que paira sobre elas: dar conta da maternidade, sem comprometer o desempenho profissional. Os números do levantamento "Maternidade sem filtros", da Consultoria Maya, são um grito: 93,2% das mães ouvidas admitiram se sentir sobrecarregadas.
Essa barreira reflete diretamente na ambição dessas profissionais: 78,4% das entrevistadas contaram já ter deixado de buscar promoções ou mudanças de área por causa das responsabilidades domésticas. O teto de vidro é real e espesso, especialmente em cargos de liderança.
Segundo dados da Todas Group e Nexus, quase 8 em cada 10 profissionais de alto escalão já enfrentaram entraves para crescer por causa do gênero. Em áreas como marketing, comunicação e tecnologia, esse índice ultrapassa a marca dos 80%.
Entre as 77% que confirmaram ter enfrentado dificuldades, 46% disseram ter passado por algumas barreiras e 31% por muitas. Apenas 17% disseram não ter enfrentado nenhum tipo de resistência. Em algumas áreas, esses entraves são maiores e ultrapassam a marca dos 80%, como para as profissionais de marketing e comunicação, assim como as que atuam nas áreas de tecnologia da informação e startups ou de recursos humanos e consultoria de gestão.
O panorama não é alentador, o que me leva a comemorar a resiliência e a força de cada uma dessas mulheres — grande parte delas mães, como eu. É preciso, ainda, valorizar a chamada sororidade feminina, tantas vezes desacreditada.
O levantamento da Todas Group e Nexus comprovou que as mulheres são as maiores propulsoras das carreiras de outras mulheres: 41% das entrevistadas contaram com ajuda majoritariamente feminina para crescer, contra apenas 14% que receberam esse apoio de homens.
Isso prova que a sororidade não é só um conceito abstrato. Se o sistema ainda nos impõe barreiras, nossa rede de apoio constrói as pontes. Ou seja, há luz no fim do túnel — e, juntas, temos muito mais chances de chegar lá.
O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].
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