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Adriana Vasconcelos
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Adriana Vasconcelos
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Adriana Vasconcelos
Violência doméstica
22/4/2026 10:45
O testemunho corajoso, e ao mesmo tempo chocante, da senadora Daniella Ribeiro (PP-PB) sobre o relacionamento abusivo ao qual ela se submeteu durante seis anos de sua vida expõe as múltiplas dificuldades que uma mulher enfrenta até se libertar e superar o ciclo da violência doméstica. Seu grito de alerta, ouvido em recente seminário promovido pelo Tribunal de Justiça da Paraíba, serve de incentivo para outras vítimas denunciarem seus agressores.
Nem todas as marcas da violência doméstica são visíveis, como destacou a senadora Daniella. Ela própria demorou a reconhecer que estava sendo vítima de uma situação de abuso e violência psicológica. Foi preciso que uma terapeuta lhe perguntasse se ela já havia lido a Lei Maria da Penha para que se desse conta e resolvesse tomar uma atitude.
Por isso, decidiu compartilhar publicamente o que viveu dentro de casa, inclusive com um de seus vizinhos presentes na plateia. "Desembargador Leandro, enquanto o senhor estava no seu apartamento, que fica no mesmo prédio que o meu, muitas vezes, eu estava debaixo de um travesseiro sendo sufocada. E a pessoa que fazia isso, do lado de fora da casa, era um ser socialmente agradável", desabafou a senadora.
Antecipando o julgamento social, a senadora acrescentou: "Por que eu continuava com ele? Porque o abusador, primeiro, consegue fazer com que você acredite que tudo é culpa sua. Depois, te coloca dentro do carro e ameaça te matar porque você conversou dois minutos a mais com fulano. Acusações que te fazem pensar que está ficando louca. Depois vêm as flores para compensar o domínio e o afastamento das amigas e da família".
Um calvário que pode atingir qualquer mulher, independentemente do grau de instrução, da condição social ou idade, como comprovou a senadora Daniella. "Quero dar esse testemunho para mostrar o quanto é importante a gente levar conhecimento para as mulheres e também para os homens, e de termos homens como parceiros nesta luta", observou.
A dolorosa experiência serviu de inspiração para a senadora aprovasse no mês passado um projeto de sua autoria que cria o Programa "Antes que aconteça". Ele prevê a inclusão desde ações educativas nas escolas até a capacitação e sensibilização de agentes públicos das áreas de saúde, segurança pública, educação e assistência social, bem como de lideranças comunitárias capazes de multiplicar o aprendizado.
Medidas vitais para aumentar a vigilância da sociedade em relação a todo tipo de violência, inclusive as misóginas em franco crescimento na web, que desqualificam mulheres com ódio e intolerância - como era possível ser visto no perfil "Café com Teu Pai", mantido por um influenciador digital e também, pasmem, policial rodoviário federal. Isso mesmo, um agente público pago para garantir segurança à sociedade.
Diante de inúmeras denúncias e uma representação da deputada estadual Ediane Maria (PSOL-SP) junto ao Ministério Público Federal (MPF), o perfil, com cerca de um milhão de seguidores, foi removido na semana passada.
Prova de que denunciar é preciso, urgente e eficaz!
O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].
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