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Adriana Vasconcelos
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Quais presidenciáveis estão conectados com a pauta feminina?
Adriana Vasconcelos
Gênero
25/5/2026 | Atualizado 26/5/2026 às 11:43
No último dia 15 de maio, a 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) tomou uma decisão que choca pela desconexão com a realidade da violência de gênero no país. Três desembargadores homens acataram o recurso da defesa de José Rodrigo Bandura para desclassificar o crime de feminicídio tentado — quando o réu ateou fogo à ex-companheira em junho do ano passado — para lesão corporal grave.
Sob uma ótica estritamente masculina que ainda prevalece em diferentes instâncias do Judiciário, os magistrados acolheram o argumento de que o arrependimento posterior do réu e sua tentativa de apagar as chamas justificavam a brandura. Mas qual seria a intenção de quem ateia fogo em um corpo humano se não a morte?
A sociedade brasileira, felizmente, já não tolera a minimização da violência contra a mulher. Os casos de crueldade física extrema quase sempre são precedidos por agressões psicológicas e abusos sutis que testam os limites das vítimas.
Como resposta a essa realidade, lideranças femininas de diferentes áreas reuniram-se no Senado Federal na última quinta-feira para dar início à redação da "Carta das Mulheres para a Política". O documento busca pressionar os candidatos nas eleições deste ano a se comprometerem com propostas que garantam a participação feminina em espaços de poder — o único caminho viável para barrar decisões retrógradas como a do tribunal paranaense.
A força dessa reação ficou evidente no depoimento dessas lideranças durante o encontro do grupo "Mulheres que Pensam o Brasil". Impressiona a coragem e a firmeza de Adah Mariah, estudante de Direito e Ciências Sociais de 19 anos, ao dividir com o grupo um alerta preocupante: de que a nova geração de jovens homens tem se mostrado mais conservadora e hostil às mulheres do que as mais velhas.
A jovem compartilhou a transformação do seu sentimento de indignação — ao tomar conhecimento da existência de uma lista de "alunas estupráveis" circulando no colégio particular, em plena capital federal, onde cursava o ensino fundamental — em propulsão para lutar em favor de uma maior participação feminina em espaços de poder. Hoje ela faz parte do movimento "Ellas Podem", que foi criado em 2023 pelas professoras Christiane Peter e Betina Gunther, dentro da faculdade onde estuda. E já traça planos de disputar cargos de representação no futuro, nos apontando um dos caminhos para a renovação política que o Brasil precisa ainda percorrer.
Essa mesma resiliência sustenta Cristiane dos Santos Silva, eletricista que atua há 14 anos na Marinha Mercante Brasileira, setor onde as mulheres ocupam meros 1% dos postos da tripulação de embarcações que circulam por nosso litoral e rios na Amazônia, como é o caso dela.
Inspirada pela Comandante Hildelene Lobato Bahia — primeira mulher a comandar um navio mercante no país —, Cristiane ajudou a fundar a Associação das Mulheres Aquaviárias do Brasil (Amab). Nascida como um grupo de apoio digital, a associação expõe os testes constantes, sabotagens e o isolamento enfrentados por essas mulheres em um ambiente ainda dominado por homens, que segue desafiando-a e também às suas colegas de profissão.
Daí a emoção e as lágrimas derramadas por Cristiane durante o encontro, ao perceber a dimensão que a mobilização feminina vem ganhando, na qual a solidão da luta individual dá lugar à potência de um movimento cada vez mais organizado. Sigamos em frente, mostrando ao país e ao mundo o tamanho da nossa resiliência!
O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].
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