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As eleitoras brasileiras querem mais do que discurso

Projeto Mulheres que Pensam o Brasil reúne lideranças para construir uma agenda própria e cobrar dos presidenciáveis compromissos concretos com a representação feminina.

Adriana Vasconcelos

Adriana Vasconcelos

13/7/2026 11:00

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A lógica de atuação das mulheres na sociedade mudou, embora muitos homens prefiram ignorar esse fato. Enquanto eles tentam disseminar pela web os princípios da cultura red pill, em canais declaradamente misóginos e voltados especialmente para a parcela mais jovem do universo masculino, as mulheres se organizam na busca de definir o próprio futuro. Pois não há ninguém mais legítimo para estabelecer sua lista de prioridades do que elas próprias.

Esse é o espírito do Projeto Mulheres que Pensam o Brasil, que promoverá no próximo dia 14 de julho mais um encontro dessa comunidade — reunindo pré-candidatas às eleições de 2026, parlamentares, lideranças femininas, representantes de instituições públicas, organizações da sociedade civil, especialistas e demais integrantes. Desta vez, na Câmara dos Deputados. O objetivo é dar continuidade ao debate e construir propostas concretas para fortalecer a democracia e a representação feminina.

Trata-se de uma iniciativa coletiva, capitaneada pela Quero Você Eleita (QVE), em articulação estratégica com o Instituto Global ESG, Elas Pedem Vista, Elas no Poder, Instituto Latino-Americano de Governança e Compliance Público (IGCP), Rede Governança Brasil (RGB), RIG — Mulheres em Relações Governamentais e Lumine Gestão & Comunicação, entre outras organizações comprometidas com a democracia e a igualdade de gênero.

O objetivo principal é a elaboração da Carta das Mulheres para a Política, que tem coletado sugestões de mulheres de diferentes setores da sociedade para a definição de estratégias que ampliem a participação feminina nos espaços de poder. Esse texto, quando concluído, será encaminhado a cada um dos pré-candidatos à Presidência da República — que, por sinal, começaram a se atentar para a importância do eleitorado feminino no resultado final das eleições deste ano.

O voto feminino quer compromisso, não promessa.

O voto feminino quer compromisso, não promessa.Magnific

Mais dispostas a falar do que ouvir o que esses presidenciáveis planejam propor para elas, as mulheres devem cobrar compromissos públicos desses candidatos em relação à sua pauta de prioridades. E estarão mais atentas do que nunca à coerência entre o que se prega e o que se faz.

Não basta mais priorizar as mulheres apenas no discurso e deixá-las de fora na prática. Foi o que aconteceu na última semana, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva escolheu o único homem em uma lista de três indicados previamente para ocupar uma cadeira no Tribunal Superior do Trabalho (TST) — posto que vinha sendo ocupado há 18 anos por uma mulher, a ministra Dora Maria da Costa, que se aposentou após 18 anos na Corte.

Já seu principal adversário na corrida presidencial deste ano, o senador Flávio Bolsonaro, teria rechaçado de pronto — assim como a maioria do núcleo duro de sua campanha — a estratégia de seu consultor de imagem, o publicitário Eduardo Fischer. A ideia era reverter sua rejeição junto ao eleitorado feminino prometendo indicar mulheres para duas das quatro vagas que deverão ser abertas no Supremo Tribunal Federal.

O que os dois lados ainda parecem não ter compreendido é que as mulheres brasileiras não estão mais disponíveis para ser moeda de troca de narrativa eleitoral. Não aceitam migalhas de representação disfarçadas de concessão. O que exigem — e exigirão nas urnas — é projeto, é coerência, é presença real nos espaços onde as decisões são tomadas. A Carta das Mulheres para a Política que sai da Câmara dos Deputados no dia 14 de julho não é um pedido. É uma pauta. E quem quiser o voto feminino em 2026 terá que assinar embaixo — com atos, não com palavras. As eleitoras brasileiras querem mais do que discurso. Querem poder.


O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected].

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