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Adriana Vasconcelos
O Judiciário começa a rever seus equívocos contra as mulheres
Adriana Vasconcelos
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Eleições 2026
29/6/2026 10:00
Definitivamente as brasileiras terão um papel estratégico na disputa presidencial deste ano. Os fatos registrados na semana passada no país não deixam dúvida disso. Que o diga o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) diante da repercussão do vídeo da madrasta Michelle Bolsonaro expondo a forma como teria sido "maltratada, humilhada e desrespeitada", após os dois discordarem da aliança negociada pelo PL com o ex-governador Ciro Gomes no Ceará.
O que acendeu o alerta amarelo na campanha do clã Bolsonaro — como admitiu o sempre sincero Valdemar Costa Neto, presidente do PL —, talvez tenha inspirado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a buscar a senadora Teresa Leitão (PT-PE) para substituir um amigo de 50 anos na liderança do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).
A indicação da primeira mulher para o cargo desde a redemocratização brasileira — que completou 41 anos este ano — foi a solução encontrada por Lula para arrefecer o estrago provocado por uma Operação da Polícia Federal, que expôs a relação próxima do agora ex-líder do governo no Senado com o sócio do banqueiro Daniel Vorcaro, Augusto Lima. Uma amizade desinteressada, mas com direito a caronas do senador em jatinhos, a compra de um apartamento no valor de R$ 2,5 milhões para sua filha e ingressos para uma neta assistir um show da Taylor Swift nos Estados Unidos.
Tanto Lula quanto Flávio sabem do peso que as eleitoras brasileiras terão no resultado final da disputa presidencial. Aliás, em 2022, elas foram essenciais para Lula derrotar Jair Bolsonaro: 54% dos votos delas foram para o petista, enquanto Bolsonaro ficou com apenas 46%. Lembrando que a vitória de Lula foi apertada, com 50,9% dos votos válidos, fica ainda mais evidente a diferença que o voto feminino fez.
Um peso que começa a se fazer presente já na pré-campanha. Uma oportunidade de ouro para que elas se mobilizem e cobrem não só de Lula ou Flávio, mas de todos os presidenciáveis, compromissos com suas prioridades e demandas do eleitorado feminino, que segue vivendo situações inacreditáveis e perigosas, quando não fatais.
Um levantamento feito pelo Datafolha em parceria com o Movimento Mulher 360, divulgado no início deste mês pelo jornal O Globo, registra que seis em cada 10 brasileiros veem as agressões contra as mulheres como a violência mais grave hoje no país. Um sinal de que a sociedade como um todo está preocupada com a situação.
Um dos mais recentes retratos que dessa tragédia que assola o Brasil foi mais um estupro coletivo, que desta vez teve como vítima uma jovem de 17 anos em Contagem, em Minas Gerais. Ela foi atacada por colegas de infância e entrou para uma triste estatística registrada no estado, indicando que até o último dia 17 de junho passado o Painel de Segurança de Minas Gerais havia registrado 3.138 denúncias de violência sexual.
Quem sabe não é uma boa hora também para reivindicarmos mais mulheres em espaços de Poder: seja a indicação de uma mulher para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal, uma composição mais equilibrada em gênero na Esplanada dos Ministérios e o apoio à discussão no Congresso Nacional da adoção da paridade entre as cadeiras de deputados e deputadas na Câmara, assim como já ocorre em vários lugares do mundo.
A hora é agora!
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